O guarda portuário trabalha várias horas por dia, enfrenta inúmeros perigos e problemas, mas costuma prestar seu serviço da forma mais honesta possível. Essas são palavras de Luiz Roberto Gomes, rondante da Guarda Portuária. Trabalhando no Porto de Santos há mais de 25 anos, ele afirma que muito mudou em relação aos anos anteriores. Descrever o dia-a-dia de um profissional dessa área é, antes de tudo, um desafio.

 

“Quando eu entrei no Porto, em 1980, a mentalidade era diferente. Não havia ameaças. Tínhamos muitos colegas na grade que realizavam a fiscalização de forma integrada”, desabafa Gomes. A situação mudou após a promulgação da Constituição de 1988, que mudou as regras para a contratação e organização sindical da Guarda.

 

Segundo o guarda, houve uma chance do número de funcionários aumentar, mas isso não aconteceu. Muitos passaram a trabalhar em jornada dupla, sacrificando as condições de trabalho.

 

Todavia, a estrutura que o guarda possui hoje em dia seria impensável tempos atrás. Gomes diz que “antes, o profissional não tinha sequer um rádio para se comunicar”. Houve um tempo em que não tinha bebedouro nem ventilador nas guaritas.

 

Gomes reclama que muitos dos profissionais não têm noção do que é a instituição que cuida da segurança do Porto. Para ele, falta melhorar muita coisa na administração da Guarda Portuária. “O que resolveria uma parte das dificuldades seria o chefe dos guardas ter um compromisso maior com o funcionário que trabalha durante horas no Porto”, afirma.

 

Outro problema apontado por ele é a terceirização dos serviços de segurança por parte de algumas empresas. “Entrada e saída de pessoas tem de ser responsabilidade do guarda, mas hoje muitas empresas fazem isso. Com isso, são menos vagas no mercado”, confirma Gomes.

 

O ISPS Code - conjunto de normas que visam adequar o Porto de Santos aos mais rígidos padrões internacionais de segurança – tende a melhorar o trabalho do guarda portuário. “Com o programa, o guarda poderá cumprir seu papel, que é oferecer segurança para as pessoas por mais que isso possa parecer chato algumas vezes”, completou Luiz.

 

Por fim, Gomes diz que aconselharia sim alguém ser guarda portuário, mas não para atuar individualmente, e sim pelo coletivo, algo que alguns esquecem na correria de hoje.
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