A história de uma das maiores fornecedoras a navios do Brasil começa em 1949, quando o descendente de italianos Mansueto Pierotti se viu desempregado. A fornecedora em que trabalhava foi incendiada e, da noite para o dia, ele ficou sem trabalho. Masueto Pierotti tinha um grau de escolaridade considerado baixo para os dias de hoje. Estudou até a terceira série primária. Mas, tinha algo que nos dias atuais ainda falta a muitos profissionais considerados intelectuais: o espírito empreendedor e a honestidade.

Trabalhador dedicado, Mansueto tinha um bom relacionamento com o setor em que atuava. Conquistou essa condição através de muito empenho. Dentro da empresa, a função na carteira era de encarregado, mas na realidade era uma espécie de "faz tudo". Um verdadeiro funcionário de confiança.

Num momento de desespero absoluto e preocupação com o futuro da família, foi abordado por um amigo na beira da calçada de uma das ruas do centro histórico de Santos. Antônio Marcos Ferreira, o senhor Ferreira, um ferragista conhecido no meio, dono da "A Ferreira e Companhia", foi um grande varejista, fornecedor de produtos para a antiga empresa em que Mansueto trabalhava.

Conversou com Pierotti e o questionou: "por que você não abre a sua própria empresa, já que conhece o serviço e tem bom relacionamento com os comandantes?" Visionário, ofereceu ajuda àquele que considerava um homem de bem, trabalhador honesto e leal.

Mansueto Pierotti aceitou. E em 1º de maio de 1949, fundou a fornecedora a navios, Mansueto Pierotti, na época localizada na na Rua João Pessoa, 150, no centro de Santos.

Quem conta essa história com carinho é Geraldo Pierotti. Filho mais novo e atual diretor comercial da empresa. Teve mais oportunidades do que se pai. Formou-se em Direito e Administração de Empresas.

Porém, desde 1967, quando ainda era um adolescente e cursava o colegial iniciou seu trabalho na empresa e até hoje constrói a história da Mansueto. Acompanhou a transformação dos meios de comunicação. O telégrafo, que antes era a única forma de se comunicar, perdeu lugar para um dos mecanismos mais rápidos e eficazes de comunicação: a internet.

Geraldo conta que, atualmente, 90% das negociações com as armadoras são feitas via computador. Vence quem conseguir as informações com mais rapidez, tiver credibilidade no mercado e compromisso com o prazo de entrega e qualidade dos produtos. Diz que nem sempre se ganha financeiramente, mas o atendimento e a satisfação do cliente é o que norteiam a filosofia da empresa.

Atende, em média, 150 navios por mês, no porto de Santos, São Sebastião e em Angra dos Reis. Geraldo afirma, categoricamente, que não há rotina em seu dia-a-dia. E dá o aviso para quem pretende se lançar neste ramo: "o fornecedor de navio tem quer ser muito trabalhador, ele não pode se preocupar com o tempo pessoal dele porque a gente fica no ar 24 horas por dia". Lembra que por vezes deixou a família nos finais de semana, de madrugada, para atender os navios que atracavam no porto de Santos. "É necessário você ter preocupação com o seu cliente porque além da venda, existe a prestação de serviço, um valor agregado", complementa. A exigência, nos dias atuais, para o trabalhador que lida com fornecimento a navios é saber falar inglês e ter o 3º grau completo. Se for visitador, então, ainda precisa ser simpático.

As armadoras exigem cada vez mais profissionalismo nas relações. Qualquer produto pedido a bordo é fundamental para a sobrevivência da tripulação. Alimentos, remédios, ferramentas, equipamentos tecnológicos são essenciais em alto mar. Atender as necessidades é questão de compromisso.

Um outro aspecto que deve ser inerente ao fornecedor a navio é a paciência. Afinal, o primeiro contato praticamente da tripulação ao chegar ao cais é com o visitador, representante da fornecedora. E por vezes, os tripulantes trazem problemas de ordem pessoal e psicológica.

Geraldo segue o lema de seu pai. Acredita que sempre pode fazer mais. Exigente e ao mesmo tempo compreensivo, como ele mesmo se define, tenta aplicar a filosofia de seu pai com os seus 70 funcionários. Sabe que nos dias de hoje a vocação e a consideração são atributos cada vez mais difíceis de se encontrar. Ainda assim, consegue manter um clima de harmonia dentro de sua empresa que hoje ocupa um quarteirão de 3 mil m2 e está localizada na rua em homenagem a seu pai.

Apesar da correria diária, o empresário Geraldo Pierotti consegue arrumar tempo para se dedicar à família e ao seu bem estar. Pratica atividades físicas regularmente. Corre, nada, faz musculação. Participa de provas de corrida, biatlo e triatlo. Aos 57 anos, está em forma.

Pierotti se ressente apenas de não ter mais tempo para se dedicar a uma paixão que lhe persegue desde menino: a poesia. O atarefado empresário é um compositor nato. Desde os 12 anos escreve poesias, paródias. Há dois anos, não consegue escrever. Já fez jingles para campanhas políticas, diversos samba-enredos, hinos para faculdades. Alíás, o da Faculdade de Direito, na qual se formou, também é de sua autoria.

Torcedor fiel do Santos Futebol Clube e Conselheiro Efetivo, Geraldo garante que sempre acompanhou as partidas do Santos. Fazia questão de assistir aos jogos do rei Pelé, mesmo no exterior. Hoje, ao lado do filho Gustavo, continua vendo de perto o desempenho do time do coração.

O empresário de sucesso Geraldo Pierotti tem por herança a força. A força de acreditar nas pessoas, de trabalhar por um ideal, de não desistir. Tem por essência a gratidão.

O senhor Ferreira depois de algum tempo teve problemas familiares e de saúde. Perdeu tudo o que construira. Terminou a sua vida aos 90 anos trabalhando na empresa de Mansueto.

A história de Mansueto Pierotti e do senhor Ferreira mostra a nobreza da amizade e o verdadeiro sentimento da gratidão.

Pin It
0
0
0
s2sdefault
powered by social2s

O que você achou? Comente