Os trabalhadores do setor aeroportuário estão sendo chamados para assembleias, nesta semana, para discutir a privatização dos aeroportos de Guarulhos e Viracopos (São Paulo) e Brasília (Distrito Federal). O presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores em Aviação Civil (Fentac), Celso Klafke, nesta segunda e última parte da entrevista ao Portogente, discorre sobre a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero).

 

* Primeira parte: Trabalhadores do setor aeroportuário vão discutir privatização em assembleia

 

A partir desta terça-feira (7), quem fala ao Portogente sobre o setor aeroportuário nacional é o presidente da Associação Nacional dos Empregados da Infraero (Anei), Edson Cavalcante.

 

Portogente – O que se escuta muito nos aeroportos e nas análises de especialistas é que a Infraero acumula problemas e erros.

Celso Klafke – Sem uma decisão política de investimento à altura da necessidade no sistema aeroportuário, é natural que a própria Infraero tenha dificuldade em realizar as obras necessárias. Dentro da Infraero, no entanto, há excelentes profissionais. A gente tem dificuldade de entender porque eles não têm sido aproveitados em busca de soluções para os problemas enfrentados nesses aeroportos.

 

Portogente – Recentemente, o ex-ministro Delfim Netto, que assinou o decreto de criação da empresa, no governo militar na década de 1970, disse que se arrependia de ter criado a Infraero. O tempo da Infraero já passou?

Certamente não. A Infraero foi criada no mesmo espírito da Petrobras. O grande problema é que essa criação trabalhou desde sempre com a hipótese de que os aeroportos eram áreas de segurança nacional. Ainda hoje a Infraero tem dificuldades para crescer, ou captar investimentos, por conta dessas áreas que continuam sobre posse da Aeronáutica. Mesmo as PPPs [Parcerias Público- Privadas] são prejudicadas por essa condição.  

 

Portogente – A própria presidenta Dilma Rousseff, no anúncio das medidas do setor, nesta terça-feira (31), disse que a Infraero precisaria de um choque de competitividade. Por que a Infraero não consegue dar conta dos problemas do setor?

Quem define o choque de competitividade é o próprio mercado. Os aeroportos com mais passageiros e empresas interessadas em voar recebem mais investimentos. Um exemplo é Viracopos, que estava estagnado até a Azul começar a utilizá-lo e hoje ele já tem garantidos os investimentos necessários à sua ampliação. A falha não é da Infraero, mas do Executivo, que não observou o crescimento do setor e não investiu efetivamente nos aeroportos para acompanhar esse crescimento.
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