Elias Gedeon é o diretor-executivo do Centro Nacional de Navegação (Centronave), associação fundada em 1907 para representar as empresas de navegação no Brasil. Conhecido por não ter papas na língua, ele conversou com o Portogente sobre as perspectivas para o setor aquaviário em 2011.

Ele mostrou-se esperançoso com a nomeação de Leônidas Cristino para a Secretaria de Portos (SEP). Ao mesmo tempo, destacou a primeira responsabilidade do novo mandatário: eliminar os gargalos logísticos que há anos emperram o comércio do Brasil e promover a integração modal entre os diversos meios de transporte.

Portogente – Como o senhor analisa a mudança do comando na SEP?
Elias Gedeon
– São mudanças naturais, decorrentes de uma sucessão de governo. Acho, contudo, que a linha de ação permanecerá. Espero que, na mesma linha de ação, haja aprofundamento das iniciativas já tomadas, como desburocratização dos portos, leilões de cargas em perdimento e obras de dragagens.

Portogente – Trazer alguém que não conhece o setor pode representar alguma vantagem?
Não há vantagem nem desvantagem intrínseca neste aspecto. O que vale é compromisso com o objetivo de tornar os portos brasileiros mais eficientes, eliminando gargalos estruturais e de ordem burocrática. Estamos certos de que o governo de Dilma Rousseff está empenhado em fazer. Não há motivo para não darmos, portanto, um crédito de confiança ao novo titular da pasta.

Foto: www.codesa.gov.br

Centronave reivindica melhorias nos portos brasileiros

Portogente – O que Leônidas Cristino precisa fazer que Pedro Brito deixou de concluir?
Ele tem de dar sequência ao que foi iniciado pelo antecessor. Mas pode, também, aprofundar algumas questões. Por exemplo, o gargalo portuário se dá dentro dos terminais, mas também fora, nos acessos rodoviários, que estão congestionados, basta ver os de Santos.

Portogente – Os gargalos logísticos são a pedra no sapato?
Se o novo ministro dos Portos buscar maior integração intermodal visando a eliminação dos gargalos, estará agregando uma nova contribuição ao setor. Essa questão, contudo, não depende apenas dele, mas sim de uma visão integrada de outros setores relacionados a transportes e logística dentro do governo.

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