As polêmicas envolvendo a instalação do estaleiro da OSX em Santa Catarina e da Promar Ceará no Nordeste do Brasil mostram, sobretudo, que a indústria naval tupiniquim está definitivamente reativada. Depois de décadas de amargura e de esquecimento, o dinheiro volta a jorrar no setor e os projetos acumulam-se sobre as mesas das autoridades. Por isso mesmo, o cuidado deve ser redobrado neste momento.

O alerta foi feito ao PortoGente pelo professor e chefe da área de Transporte Aquaviário do Programa de Engenharia Oceânica da Coppe da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Floriano Carlos Martins Pires Junior, que falou sobre o assunto com nossa reportagem.

“A construção naval apresenta economias e, como eu posso dizer, “deseconomias” locacionais muito relevantes. A excessiva dispersão geográfica dos investimentos em estaleiros e outras indústrias fornecedoras poderá sim vir a ser um obstáculo ao desenvolvimento competitivo do setor. Eu entendo que uma política nacional deveria visar à consolidação de clusters marítimos de alta agregação, uma espécie de pólo concentrador”.

Questionado sobre o que uma área precisa ter para receber um estaleiro, Floriano destacou que o tema não é tão simples quanto aparenta ser, erro seguidamente cometido por dezenas de empresários.

“Um estaleiro precisa ter acessos terrestre e marítimo adequados e área compatível com as instalações. Bom acesso terrestre significa disponibilidade de transporte rodoviário e, se possível, ferroviário, de boa qualidade. Não só a carga deve ter acesso fácil, mas também trabalhadores, clientes e fornecedores. Acesso marítimo significa canais com calado compatível com as operações previstas e uma frente de mar (ou rio) abrigada, de comprimento, largura e profundidade adequados”.

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