Em entrevista exclusiva ao PortoGente, o professor e chefe da área de Transporte Aquaviário do Programa de Engenharia Oceânica da Coppe da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Floriano Carlos Martins Pires Junior, colocou o pé no freio e destacou que o caminho de recuperação da indústria naval brasileira está apenas começando.

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A preocupação do especialista recai sobre as manifestações que têm sido veiculadas na imprensa. Empresários e integrantes do próprio Governo Federal são enfáticos em afirmar que a indústria naval brasileira já alcançou, ou está prestes a alcançar, os principais competidores internacionais.

“A situação é preocupante sim. Tomar decisões de política setorial sem levar em conta a relevância dessa questão econômica seria repetir os erros do passado. Falta uma política tecnológica à indústria naval. E embora tenha havido uma expansão importante nos recursos destinados, a indústria não tem participação nas decisões, e tem participação incipiente nos projetos. Hoje, não há uma articulação com metas tecnológicas para a indústria”.

Floriano também se preocupa com a qualificação da mão de obra brasileira para o futuro do setor naval. Ele se diz apreensivo com o que classifica como “tendência de proliferação” de cursos de engenharia autointitulada naval, nem sempre com o embasamento requerido.

“A formação de recursos humanos estratégicos e o desenvolvimento tecnológico e gerencial são elementos críticos de uma política nacional para a indústria marítima. A dispersão dos investimentos e a falta de metas estratégicas que orientem as ações governamentais são ameaças concretas ao desenvolvimento do setor, competitivo e sustentável”.

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