PortoGente conversou com o economista Humberto Dalsasso, que atua como consultor empresarial e é colunista do site do Conselho Federal de Economia e um estudioso da economia chinesa. Na sua análise, a China tem alta demanda por matéria-prima e o Brasil é um local para buscar energia, infraestrutura e terra. O que aparenta ser um simples estaleiro pode abrir as portas para adicionar empreendimentos como um porto para exportar minérios para a China. Leia a entrevista e veja o que isso tem a ver com o projeto de instalação do estaleiro da OSX, em Biguaçu, na Grande Florianópolis, em Santa Catarina.

PortoGente – Como iniciou seu interesse em estudar a economia chinesa?
Dalsasso
- Em 1966, no curso de economia fiz um trabalho que cheguei à conclusão de que a China dominaria o mundo, o que se confirmou a partir de 2000. Desde 2004 escrevo artigos alertando, mostrando, porque vejo que não se pode negociar com a China com ingenuidade.

PortoGente - O que os negócios da China têm a ver com a instalação do estaleiro da OSX em Biguaçu?
Dalsasso
- Minério. Minério para levar. A China está interessada em minério, infraestrutura e terra. Compraram no Nordeste 10 mil hectares para plantar soja e levar para lá. Aqui querem minério.

PortoGente - O senhor pode explicar como o estaleiro da OSX tem a ver com minério?
Dalsasso
- Sabemos que na região tem minério. O Eike Batista tem conhecimento, pesquisou as reservas minerais do País. A informação que temos é que tem pré-sal no litoral de Santa Catarina. Então o estaleiro é uma base importante para fazer essas exportações, canalizações. Começa com um estaleiro, daqui a pouco passa a ser um porto. Três mil e 200 hectares só para um estaleiro parece ser um exagero.

PortoGente - Que indicadores levaram a essa conclusão sobre os planos da China?
Dalsasso
- Eles têm uma sobra brutal de recurso do Fundo Soberano. Eles elegeram o Brasil como o principal porto para ancorarem. O Brasil devido aos recursos minerais que tem, o solo fértil. Então vem aqui e buscam toda a matéria-prima de que precisam. Além disso, eles investiram 400 milhões de dólares na MMX, que é uma empresa da EBX.

PortoGente – E sobre o anúncio do licenciamento paralelo no Rio de Janeiro?
Dalsasso
- É uma possibilidade lógica, porque o grupo já tem empreendimentos lá, que é um lugar onde tem um porto. Mas acho que esse anúncio é para forçar uma decisão favorável. Se o real interesse for levar minério, vai precisar de um porto e amanhã teremos um porto em Biguaçu. Como empreendimento não vejo o estaleiro como um grande problema, se for feito com cuidados de preservação do meio ambiente. Volto a afirmar que o maior interesse é a riqueza mineral e a possibilidade de pré-sal no litoral.

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