Além de buscar a recuperação financeira após a praga da vassoura-de-bruxa ter mudado os rumos da economia baiana, os produtores de cacau do Sul da Bahia também precisam lidar com um adversário indigesto: a falta de infraestrutura dos portos do estado. O especialista em cacau Thomas Hartmann foi direto ao ponto e, ao PortoGente, disse que os portos da Bahia estão, hoje, muito aquém do que se faz necessário.

* Produtores de cacau do Sul da Bahia tentam se recuperar
* Secretário baiano quer acabar com atraso dos portos do estado e atrair estaleiros

“O Porto de Ilhéus, por exemplo, é problemático. Tem tantas dificuldades que estão falando em construir um novo porto. Para completar, não se tem hoje navios que partam de Ilhéus rumo aos destinos dos produtos feitos a partir do cacau brasileiro: Chile, Argentina, Uruguai e Estados Unidos. Assim, a maioria do cacau baiano vai por estrada do Sul da Bahia até Salvador e de lá segue o destino final. Encarece o processo, mas não há jeito. Mandar para Vitória é ainda mais caro”.

Com a grave queda na produção registrada nas últimas duas décadas, o cacau em grão não é mais exportado. Os cacaueiros ganham dinheiro mandando ao exterior, via contêineres, os produtos feitos do cacau, como o chocolate. A produção interna de cacau bate a casa de 160 mil toneladas ao ano. Isso atende ao consumo interno. Como a indústria tem capacidade de produzir 250 mil toneladas/ano de chocolate e outros itens, o Brasil importa cacau em grão para poder exportar os produtos.


O estado baiano é o maior produtor do País, mas sua capacidade
foi reduzida em até 60% com após a praga vassoura-de-bruxa

“A Bahia é a maior produtora de cacau, mas a produção no Pará sobe bastante. Dois terços do que o Brasil produz de cacau saem da Bahia, mas antes o índice era de 95%”, lembra Thomas Hartmann. “O Pará é um exemplo de que, em uma terra sadia, pode-se obter muito lucro com o cacau”.

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