O aumento do tamanho da frota mundial de navios porta-contêineres exigirá do governo brasileiro uma corrida contra o tempo para melhorar a infraestrutura portuária e garantir o acesso das grandiosas embarcações que estão sendo entregues pelos estaleiros de todo o mundo. Em 2009, o tamanho médio desse tipo de embarcação registrou crescimento de 8,47% em relação a 2008, conforme aponta o relatório “Review of Maritime Transport” elaborado pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad). A previsão de especialistas em comércio marítimo é que cerca de 60% dos porta-contêineres em atividade até 2013 não consigam acessar os portos brasileiros caso as condições de profundidade dos canais de navegação não sejam aperfeiçoadas.

O técnico da Secretaria Municipal de Desenvolvimento da Prefeitura de Vitória (ES), Luiz Fernando Barbosa Santos, diz ser imprescindível que o Brasil mantenha uma estratégia permanente para os portos. “A consolidação dos mercados asiáticos e a consolidação da rota Brasil-África do Sul-Índia-China irão exigir embarcações de porte para obter ganhos de escala, implicando em portos de águas profundas e em investimento pesado na conteinerização”.

O presidente do Sindicato das Agências de Navegação Marítima do Estado de São Paulo (Sindamar), José Roque, também aponta a necessidade dos portos brasileiros estarem preparados para o futuro e elogia a iniciativa dos terminais portuários que vêm se modernizando para atender à demanda das grandes embarcações. Além do fator dragagem, Roque lembra que os acessos terrestres necessitam ser urgentemente aperfeiçoados para garantir a competitividade do Brasil frente ao comércio internacional.

Números que refletem a mudança na frota mundial de embarcações são expressivos

* 51% dos navios porta-contêineres em exercício até o ano passado são muito novos, sendo que 31,5% deles têm de 0 a 4 anos.

* O perfil dos navios de carga geral ainda é bastante obsoleto: 62,3% da frota tem mais de 20 anos de uso. Barbosa observa, entretanto, que o percentual revela uma clara tendência de substituição dessas embarcações no transporte de cargas nobres muito em breve.

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