Sábado, 07 Março 2026

APS prorroga desconto tarifário para “navios verdes” no Porto de Santos

Medida incentiva embarcações com menor emissão de poluentes e reforça estratégia de descarbonização do maior porto da América Latina

Navio no Porto de Santos
Iniciativa busca estimular embarcações com menor emissão de poluentes no Porto de Santos

A Autoridade Portuária de Santos (APS), empresa responsável pela infraestrutura pública do Porto de Santos, prorrogou novamente, por mais 120 dias, o desconto aplicado desde 2023 na tarifa cobrada dos chamados “navios verdes”, embarcações com menor emissão de poluentes.

Os descontos são concedidos a embarcações com cadastro e pontuação positiva no Índice Ambiental de Navios (Environmental Ship Index – ESI), iniciativa internacional voltada à redução de emissões no transporte marítimo. O benefício pode chegar a 15% e incide sobre o uso das infraestruturas de acesso aquaviário, cobradas com base na tonelagem de porte bruto da embarcação.

Desde 2023, o desconto tarifário oferecido a navios e terminais que adotam práticas sustentáveis já supera R$ 40,6 milhões, valor que a APS deixa de arrecadar para incentivar a modernização ambiental da frota marítima.

Combate ao risco climático

A aplicação de desconto para navios ambientalmente mais eficientes é uma das alavancas do esforço da APS no combate ao risco climático. O setor marítimo responde por cerca de 80% do comércio mundial e por aproximadamente 3% das emissões globais de gases de efeito estufa (GEE), segundo dados da Organização Marítima Internacional (IMO).

Esse cenário torna a transformação energética dos portos estratégica para o cumprimento das metas do Acordo de Paris, tratado internacional adotado em 2015 para limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. O Porto de Santos busca liderar essa transição no setor aquaviário nacional.

Alavancas para um futuro sustentável

Para viabilizar a descarbonização, os portos precisam atuar em três frentes principais: eficiência logística, uso de biocombustíveis e fornecimento de energia elétrica renovável.

Em outubro passado, a APS firmou contrato com a Fundação Valenciaport para a elaboração de um Plano de Descarbonização e de um Plano Diretor Energético (PDE) para o Porto de Santos. Os estudos têm prazo de 22 meses para conclusão.

O Plano de Descarbonização definirá diretrizes e metas para reduzir as emissões de todo o complexo portuário da Baixada Santista, abrangendo as operações da própria autoridade portuária, dos terminais, dos navios e dos modais rodoviário e ferroviário.

Já o Plano Diretor Energético estabelecerá estratégias para a transição da atual matriz baseada em combustíveis fósseis para fontes progressivamente mais limpas.

Eletrificação e inovação

Desde 2024, o Porto de Santos também desenvolve um projeto pioneiro de eletrificação do cais. A energia limpa gerada pela Usina Hidrelétrica de Itatinga abastece cerca de 20 rebocadores que operam no porto.

Estudos em andamento avaliam a repotencialização da usina para ampliar sua capacidade de geração e possibilitar a produção de hidrogênio verde. A planta, que já atende parte da demanda energética da APS, poderá abastecer diretamente uma parcela significativa das operações portuárias.

Na área de eficiência logística, a APS conta com o apoio do Parque de Inovação Tecnológica de São José dos Campos (PIT), que desenvolve soluções para o sequenciamento de caminhões e navios, reduzindo o tempo de espera e, consequentemente, as emissões.

Desde 2021, a autoridade portuária também elabora anualmente seu inventário de gases de efeito estufa utilizando a metodologia do Programa Brasileiro GHG Protocol, alinhada às diretrizes da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

Desconto para escalas frequentes

A APS também prorrogou, a partir de 11 de março, os descontos para uso da infraestrutura aquaviária por navios com escalas frequentes no Porto de Santos, iniciativa que incentiva a cabotagem.

O benefício começa em 25% para navios de longo curso que realizarem quatro escalas no porto e pode chegar a 65% para embarcações que registrarem 48 ou mais escalas no complexo santista dentro de um período de 12 meses.

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