O setor de transporte responde por 25% das emissões globais de gases do efeito estufa, segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Por ano, essa atividade humana produz 8 gigatoneladas de substâncias que contribuem para o aquecimento global. O valor é 70 vezes mais alto do que há 30 anos. Para mudar esse cenário, especialistas discutem soluções sustentáveis de mobilidade na Conferência do Clima da ONU em Katowice, na Polônia, a COP24, que começou no dia 6 último e termina no dia 14 próximo.

COP24 PolôniaCarro autônomo e elétrico exibido no Pavilhão do Reino Unido na COP24. Foto: ONU/Yasmina Guerda

No mundo, mais de 1 bilhão de carros rodam pelas ruas e estradas todos os dias. Até 2040, o número poderá dobrar. “Isso é insustentável, inaceitável e incompatível com as metas do Acordo de Paris”, afirma o presidente da Aliança de Descarbonização do Transporte, José Mendes. A coligação reúne 20 países, cidades e empresas que atuam no nicho de transporte de baixo carbono.

Uma das alternativas para reduzir as pegadas de carbono dos deslocamentos é investir nos veículos elétricos de fontes renováveis. A origem desses automóveis remonta às primeiras décadas do século XX. Nos anos 1910, houve uma escalada nas vendas de carros movidos a eletricidade, mas o desenvolvimento tecnológico e a descoberta de grades reservas de petróleo tirou o lugar desses veículos, logo substituídos pelo motor a combustão.

“Agora, quase cem anos depois, os veículos elétricos estão voltando e precisam, cada vez mais, tirar o lugar do motor a combustão, em favor da redução de emissões e da poluição do ar”, afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres, em Katowice, sobre mobilidade elétrica. O dirigente máximo das Nações Unidas alertou, porém, para um detalhe fundamental no uso desses meios de transporte. “O crescimento dos veículos elétricos terá um impacto significativo na demanda por eletricidade, e isso precisa ser levado em conta.”

“Se não for gerida cuidadosamente, a demanda adicional vai criar desafios em todos os setores do sistema de energia, particularmente em momentos de pico”, explicou Guterres. Além disso, se a eletricidade utilizada for proveniente da queima de combustíveis fósseis, os veículos acabariam agravando o prolema das emissões de gases, em vez de diminui-lo. Para prevenir esses problema, são necessários investimentos na produção de eletricidade a partir de fontes renováveis e na garantia de uma cadeia de fornecimento sólida.

Segundo o dirigente, um número crescente de países e regiões têm anunciado planos para abandonar progressivamente os veículos que usam combustíveis fósseis. Um relatório recente do Banco Mundial elencou diferentes iniciativas para fomentar essa transição. Entre elas, estão: a decisão da França e do Reino Unido de proibir todas as novas vendas de veículos movidos a diesel ou gasolina depois de 2040; o tema também tem sido discutido na China; a meta da África do Sul de reduzir em 5% as emissões de gases do efeito estufa vindas do setor de transporte até 2050; a capital do Equador, Quito, está investindo em frotas de ônibus elétricos; o governo da Coreia do Sul planeja abastecer 1 milhão de veículos elétricos pelos próximos dois anos; e a Índia está discutindo estratégias para que, até 2023, 15% de todos os carros do país sejam elétricos.

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