O Complexo Industrial e Portuário do Pecém está localizado na área do município de São Gonçalo do Amarante. O acidente geográfico denominado Ponta do Pecém situa-se no litoral oeste do Ceará, a cerca de 56 quilômetros de Fortaleza.

 

Foi inaugurado em 28 de março de 2002. É administrado pela Companhia de Integração Portuária do Ceará, empresa vinculada à Secretaria Estadual de Infra-Estrutura, caracterizando-se como um terminal de uso privativo misto.

 

Sua infra-estrutura possibilitou ao terminal atingir, em apenas três anos e meio de operações, a quarta posição dentre as instalações portuárias nordestinas, considerando-se os valores anuais de exportação de carga.

 

Seu diretor-presidente é o engenheiro mecânico José Roberto Correia Serra. Com 47 anos, casado, concedeu entrevista a série de reportagens Portos do Brasil.

 

PortoGente: Qual é o diferencial do Porto do Pecém?

José Roberto: Trata-se de um terminal marítimo concebido para propiciar operações portuárias eficientes. É altamente competitivo, pois possui acessos rodoviários e ferroviários livres dos confinamentos provocados pelos centros urbanos. Quanto à infra-estrutura, foi projetado para permitir o acesso da grande maioria dos navios comerciais em operação, dispondo em suas instalações de atracação de profundidades compatíveis com os navios de última geração, tanto no que se refere aos graneleiros, quanto aos de carga geral, incluindo-se os porta-contêineres.

 

PortoGente: Qual é o balanço da movimentação de cargas e contêineres?

José Roberto: Houve um crescimento de 30% na movimentação de carga geral de janeiro a outubro de 2005, em relação ao mesmo período do ano anterior. Até outubro foi registrada a movimentação total de 887 mil e 626 toneladas. A movimentação de contêineres no período cresceu 22% em relação ao ano passado. Foram 38.953 TEU’s exportados (twenty-feet equivalent unities ou unidades equivalentes a 20 pés de comprimento) e 40.665 TEU’s importados.

 

PortoGente: Quais são os principais produtos embarcados e destinos?

José Roberto: Os principais destinos são Europa e costa leste dos Estados Unidos. Até o mês de outubro, a banana foi a mercadoria mais exportada (53.828 t), seguida do melão (48.712 t), produtos siderúrgicos (37.760 t), manga (32.270 t) e castanha de caju (26.745 t). Esses produtos equivalem a 54% do total embarcado em 2005. No acumulado do ano, foram importadas 123.278 toneladas de produtos siderúrgicos, que foram responsáveis por 53% da movimentação de importação de carga geral, e 19.375 toneladas de algodão (8,3% da importação).

 

PortoGente: Pecém é um terminal novo. Há planos para sua ampliação?

José Roberto: Em 2006 será iniciada a construção de um terceiro píer de atracação, o Terminal de Múltiplo Uso (TMUT). A obra está orçada em R$ 300 milhões e os recursos virão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do governo estadual. O novo píer receberá navios de carga geral e movimentará contêineres com minério de ferro, chapas planas, bobinas de aço, frutas e fertilizantes. Os píeres para atracação ficam em alto-mar e estão ligados à costa por uma ponte de acesso com 2.142 metros de comprimento, o que o torna um terminal do tipo offshore.

 

PortoGente: O que tem sido realizado em infra-estrutura?

José Roberto: O complexo surgiu como elemento capaz de fundamentar e atender as demandas industriais da economia cearense, visando atrair indústrias de base voltadas para as atividades de siderurgia, refino de petróleo, petroquímica e de geração de energia elétrica. Em 2005, novas instalações foram inauguradas, como a câmara frigorífica para preservar a qualidade dos produtos refrigerados no momento da fiscalização, quando da vistoria dos contêineres pelos órgãos competentes. Também foram entregues grupos de geradores de energia elétrica movidos a gás natural. A instalação é composta por três máquinas com capacidade total de 5,2 megawatts, quantidade suficiente para atender dez mil residências.

 

PortoGente: Como é feita a segurança no porto?

José Roberto: Pecém foi a primeira instalação portuária do Brasil a obter a certificação do Código Internacional para Proteção de Navios e Instalações Portuárias (ISPS Code). Foi elaborado o Plano de Segurança Pública Portuária, cujos procedimentos contemplam todas as instalações.  Os meios para isso vão desde a utilização de segurança própria à atuação conjunta com as instituições de segurança pública, bem como a Capitania dos Portos do Ceará, Exército, Aeronáutica e representantes da autoridade marítima. As medidas garantem o controle de todo tipo de acesso ao porto, que passou a ser monitorado por subsistemas de segurança que incluem cadastramento, identificação obrigatória, restrição de acesso, detectores de metais, câmeras e sistema integrado de segurança eletrônica e humana.

 

PortoGente: Como é realizado o controle ambiental?

José Roberto: Sua construção levou em consideração diversas variáveis, como ventos, marés e correntes, que foram monitoradas de modo a reduzir ao máximo o impacto ambiental na sua área de influência. Sua característica offshore impede o represamento da areia, evitando desequilíbrios sedimentares. Um cinturão verde com três mil hectares de dunas e vegetação separa o terminal da área industrial. Neste local há uma estação ecológica e duas áreas de proteção ambiental. 

 

PortoGente: Como é a relação Porto-Cidade?  

José Roberto: A população  de São Gonçalo do Amarante era predominantemente de pescadores até a chegada do terminal. Atualmente, o complexo gera um número significativo de empregos diretos, incluindo os funcionários da Cearáportos, órgãos intervenientes, prestadores de serviços operacionais, armadores e outros.

 

PortoGente: O que o futuro reserva ao terminal?

José Roberto: Desde o início do seu funcionamento, Pecém destacou-se como a principal via de exportação de frutas do país.  Ele concluiu o terceiro ano de operações em primeiro lugar nas exportações nacionais de frutas e pescados do país e em quarto lugar no ranking de exportações das instalações portuárias do Nordeste, atrás apenas dos portos de São Luis (MA), Salvador (BA) e Aratu (BA). A expectativa é consolidar esse trabalho, tornando-o a alternativa mais eficiente para saída de produtos nordestinos e o suporte da economia cearense.

Website: www.cearaportos.ce.gov.br
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