Ricardo Custodio possui formações especializadas em projetos e negociação pela Harvard Business School e Universidade de Oxford

Talvez você já esteja cansado de ouvir essa mesma frase de executivos, diretores e lideres de vários segmentos. Os riscos remete-nos a uma certa 'ameaça à segurança', sinais de alerta, uma certa privação do conforto. Gerenciar riscos tem como uma das premissas a predição e a prevenção de obstáculos que possam surgir, e como se prevenir ou tentar imaginar que algo pode dar errado sendo que o caminho ainda não foi traçado?

A dificuldade enfrentada pelos gerentes e líderes na gestão reside muitas vezes na ideia de que os riscos em sua maioria são os mesmos. Muitas vezes são e muitas vezes, não. Desde evitar problemas técnicos, de relacionamento até a agilidade para sair da situação (leia-se 'jogo de cintura') na hora que 'o bicho pega'. Resistência em realizar pesquisas, considerar lições aprendidas nos projetos ou cases similares são armadilhas que podem causar prejuízos irreparáveis. Barreiras de relacionamento, cultura organizacional ou comunicação ineficiente também são cenários críticos e que devem ser evitados.

Complicações como entrega fora do prazo, mudança repentina de escopo e saída de membros-chave do projeto, já causam um impacto significativo em qualquer projeto por menor que ele seja. É preciso considerar que alguns muros são levantados do dia para noite, e a tomada de decisão tem de ser assertiva e o mais pontual possível. Como exemplo, solicitar ampliação do tempo para a finalização do projeto pode enfraquecer o bom relacionamento, ferir a boa reputação, causar problemas em produção e até gerar prejuízos de ordem financeira para ambos lados. Todos podem ficar fora do jogo na final.

Ajustes

Imagine que você está morando em um país diferente do seu. Bem, é de boa prática que você, além de também falar a língua-mãe daquele lugar, procurar se adaptar à cultura, aos costumes e respeitar as diferenças. Isso não quer dizer que se as pessoas daquele lugar tem o costume de serem improdutivas, você também tenha de ser, mas antes, procure saber quais são as deficiências e anomalias existentes que geram esses comportamentos incomuns. Estabelecer políticas ajuda a organizar, a manter uma certa ordem e a entender melhor quais os interesses tanto da empresa, quanto do cliente que podem interferir no processo e no produto. Criar normas, prezar pela aplicação do empirismo, trabalhar as suposições e adaptar-se aos contextos podem ajudar a ter uma visibilidade bem mais profunda da situação e dar suporte a uma melhor tomada de decisão.

Monitoramento

Rastrear e avaliar os riscos por meio dos níveis (alto, médio e baixo) de impactos pode ter um efeito benefíco no seu monitoramento. Avaliar estrategicamente a eficácia desse controle é muitas vezes trabalhar em uma análise SWOT¹ para que você possa reforçar os pontos fortes, eliminar os pontos fracos, aproveitar as oportunidades e lidar com as ameaças. Essa análise pode te ajudar a saber o que pode funcionar e o que não. Alguns riscos já são praticamente controlados (devido à burocracia ou cultura organizacional).

Análise Comportamental

Assim como na nossa vida em geral, os comportamentos podem indicar um uma espécie de predição. Pelo 'andar da carruagem' podemos interpretar cenários favoráveis e desfavoráveis ao alcance da meta. Nem sempre os impedimentos devem ser sentidos como algo negativo, mas muitas vezes como sinal de que o planejamento não foi devidamente discutido (infelizmente por causa do tempo hábil para essa atividade) ou que devemos replanejar algo - o que pode ser bom - replanejamento, renegociar pode tranquilizar as coisas para ambos os lados.

Problemas no decorrer do projeto são inevitáveis. Mesmo sabendo o caminho para atingir o objetivo, o caminhar é quase sempre uma 'caixinha de surpresas'. Procurar fazer os ajustes necessários para tornar a jornada mais produtiva, monitorar com mais assertividade para mitigar os impactos que possam contribuir para o insucesso e observar sempre com olhos atentos podem tornar tudo menos penoso. É aquela máxima: 'uma pessoa previnida vale por duas. ' E eu ainda acrescento que, no caso da liderança, pode valer por três, quatro...

Ao se deparar com situações complexas procure entender o que está acontecendo e buscar estratégias para a solução. Buscar ajuda profissional por meio de consultorias, estudos de cases, livros podem fortalecer o conhecimento e te livrar de certo apuros.

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