Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC) 

Embora a balança comercial tenha apresentado em julho deste ano de 2018 um superávit de US$ 4,2 bilhões, o País continua a perder mercado por exportar basicamente commodities, que são aqueles produtos que não contam com valor agregado e, portanto, geram poucos empregos, além de sofrerem forte influência externa em suas cotações.

Apesar do superávit, o valor representa um recuo de 35,8% na comparação com julho de 2017, considerando a média por dia útil, o que significa que nem mesmo a exportação de commodities pode garantir por muito tempo a tendência superavitária na balança comercial. Segundo dados da Associação Brasileira de Comércio Exterior (AEB), nesse passo, a tendência é que a balança comercial feche 2018 com um saldo de U$ 56 bilhões, contra os U$ 67 bilhões do ano passado.

Portanto, é imperiosa a necessidade de se adotar medidas que possam combater o chamado custo Brasil, conjunto de fatores que impedem que o produto brasileiro ganhe competitividade no exterior. Ou seja, reduzindo o custo Brasil, será possível reativar vários setores da indústria e estimular a exportação de produtos manufaturados, que são aqueles que geram empregos e, portanto, fazem movimentar o mercado interno.

Como o atual governo-tampão está na sua reta final, o que se espera é que o próximo tenha discernimento e força política para promover reformas previdenciária e tributária, reduzir a exagerada carga tributária e a burocracia excessiva e investir na infraestrutura portuária, rodoviária, ferroviária e hidroviária, além de reduzir a insegurança jurídica. Sem contar o alto custo do dinheiro (taxa de juros e spread bancário), inflação em alta e mão-de-obra pouco qualificada.

Tudo isso acaba não só por afastar os investidores internacionais como leva empresas que já estão instaladas aqui a procurar paragens que ofereçam menos obstáculos, além de tornar mais elevado o custo de produtos domésticos, quando comparados com similares importados, e dos produtos nacionais quando colocados em outros países. Em estudo recente, a Federação das Indústrias no Estado de São Paulo (Fiesp) estimou esse custo como sendo 38% a mais em relação a países emergentes e 30% a mais quando comparado a países desenvolvidos.

Como as reformas que ajudariam a reduzir o custo Brasil têm sido adiadas governo a governo, a inserção do País no mercado internacional cresce de maneira muito limitada. Basta ver que, segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC), em 1980, a participação do Brasil no comércio do planeta estava em modestos 0,99% e, quase 40 anos depois, essa percentagem evoluiu para 1,1%, enquanto a China passou de 0,88% para 13% no mesmo período.

Diante disso, talvez a saída seja imitar o modelo asiático, fazendo o que a China fez: buscar a industrialização acelerada, com base em nossas reservas de minério de ferro, carvão, aço e alumínio, expandindo a capacidade de importar e viabilizando uma pauta de exportações na direção de bens intensivos em mão-de-obra, além de atrair investimento externo para aumentar a capacidade exportadora do País.

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