Roberto Mosquera, consultor e facilitador em organizações ágeis e pensamento do design na Ekantika Consultoria

Com máquinas e processos inteligentes, a indústria 4.0 combina tecnologias como realidade aumentada, inteligência artificial e robótica, além de ter a capacidade de analisar e utilizar um enorme fluxo de dados (Big Data). Assim, as barreiras entre os mundos físico e digital estão sendo paulatinamente eliminadas e toda a cadeia produtiva se comunica dentro de um ecossistema cibernético. Neste contexto, fala-se muito sobre como será o futuro do trabalho.

De acordo com o Fórum Econômico Mundial de 2016, o mundo perderá milhões de empregos nos próximos três anos, principalmente aqueles que estão relacionados a funções administrativas e industriais. Segundo estimativa feita pela consultoria McKinsey, só no Brasil serão 15,7 milhões de trabalhadores afetados pela automação até 2030.

Contudo, não acredito que o emprego irá desaparecer, nem que os postos de trabalho serão substituídos única e exclusivamente por robôs. Afinal, alguém precisa saber operar as máquinas, consertá-las quando for necessário e, principalmente, programar para que o processo tenha o mínimo de falhas e o máximo de eficiência.

O mundo já passou por outras revoluções industriais e também em cada uma delas houve especulações sobre a perda generalizada de empregos. O que acabou acontecendo, no entanto, foi uma transformação das atividades: muitas delas desapareceram ou foram substituídas por outras que exigem mais qualificação e menor esforço.

Uma das conclusões que se chegou no Fórum Econômico Mundial de 2016 foi a de que as tarefas repetitivas tendem a ser executadas por máquinas, por exemplo, motoristas, operadores de caixa, contadores e operadores industriais. Porém, profissões que requeiram criação, abstração, desenvolvimento, e que tenham que lidar com situações novas e serviços para pessoas, serão predominantes e mudarão o perfil do trabalhador do século XXI.

Sobreviverão profissionais com formações específicas, mas que tenham habilidades em lidar com ciência de dados e alto grau de abstração numérica. Além disso, o ser humano como prestador de serviços ganhará espaço em um mercado crescente, o que formará uma nova base de trabalhadores. É muito provável que o futuro do emprego não esteja na indústria, mas sim na prestação de serviços. Seremos uma sociedade de serviços.

Quem quiser participar do processo produtivo industrial no futuro deverá desenvolver novas habilidades: aprender a trabalhar lado a lado com robôs colaborativos para aumentar a produtividade, gerando espaço para exercer funções mais complexas e criativas. O profissional participará de todo processo produtivo e será preciso estar aberto às mudanças e à uma aprendizagem multidisciplinar contínua. Saber se comunicar bem com os colegas e ter total domínio de línguas estrangeiras (não existe mais espaço para o inglês intermediário). Também é importante ter senso crítico para cruzar dados e tomar decisões importantes em momentos sensíveis e ter capacidade de se adaptar às novas tecnologias que estão sendo colocadas em prática a todo momento.

*Este conteúdo faz parte de uma série de artigos sobre inovação produzidos pela equipe da Ekantika Consultoria. Para saber todos os passos que podem conduzir as organizações ao desenvolvimento de inovações, acompanhe os textos que serão postados aqui nas próximas semanas.

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