As operações portuárias e os avanços industriais são itens fundamentais para todas as atividades do mundo globalizado de hoje. No entanto, se proporcionam qualidade de vida no aspecto de conforto, tecnologia e intercâmbio entre diversas regiões do mundo, afetam profundamente o meio ambiente e todo o ecossistema natural. Dentre os inúmeros malefícios causados pelos poluentes gerados por veículos motorizados e fábricas está o aumento do efeito estufa. Esse fenômeno natural é o que mantém a temperatura da Terra adequada para a sobrevivência humana – já que sem sua presença a temperatura média do planeta seria 30% mais baixa. A emissão excessiva dos gases que compõem o efeito estufa, em especial devido a caminhões e carros com regulagens precárias, está aumentando demasiadamente a temperatura da Terra e causando danos irreversíveis ao meio ambiente. Consultados pela reportagem de PortoGente, os caminhoneiros demonstram preocupação, mas também desconhecimento sobre o assunto.

 

Na ânsia de desenvolver e modernizar a infra-estrutura do planeta em que habita, o ser humano esquece que os componentes logísticos e de transportes ligados ao setor portuário emitem uma série de poluentes que prejudicam a saúde e a qualidade de vida de animais, vegetais e dos próprios humanos. Caso o aquecimento global não seja contido, acontecerão mudanças dramáticas no meio ambiente. Entre os principais fenômenos, segundo ambientalistas, estariam grandes variações no ritmo de chuvas, furacões, tormentas, secas graves e derretimento de geleiras que poderiam provocar avalanches, erosão do solo e alterações no fluxo dos rios. Todos esses fatores repercutem diretamente no cotidiano da população. Áreas agrícolas poderão ser afetadas, prejudicando a distribuição de alimentos, assim como inúmeras espécies animais e vegetais seriam extintas. No âmbito das doenças, o calor excessivo facilita a ocorrência de epidemias de doenças transmitidas por insetos e, ainda, aumenta as chances de sobrevivência de germes, bactérias, esporos e outros organismos prejudiciais à saúde humana.

O dióxido de carbono (CO2) é o principal agente do aquecimento global. A emissão desse gás ocorre devido ao uso de combustíveis fósseis, como o petróleo e o diesel. Esses combustíveis são utilizados em grande escala pelos caminhões. Ao circular por cidades portuárias, rodovias e pólos industriais, é comum ver veículos sem manutenção adequada jogando uma quantidade absurda de poluentes no ar: é a chamada “fumaça preta”. A fumaça preta nada mais é que o combustível não queimado devido à regulagem inadequada do veículo. Além da saúde, esse desperdício afeta também a economia, como é possível constatar em reportagem feita por PortoGente em setembro de 2006.

A liberação de CO2 na atmosfera começou há 200 anos com o carvão, durante a Revolução Industrial. Desde então sua concentração cresceu mais de um terço. Com isso, a Terra está ficando mais e mais quente. As últimas décadas tiveram as mais altas temperaturas médias de todo o século XX. Atualmente, a temperatura média do planeta está 4°C acima do que na era da idade do gelo, há cerca de 13 mil anos atrás. Embora pareça pouco, é o suficiente para iniciar o processo de derretimento de geleiras, de prejuízos agrícolas, e de extinção de espécies. Um processo que pode custar muito caro ao planeta.

Concentração
Os gases produzidos pela queima de combustíveis fósseis seguem vários caminhos: parte é absorvida pelos oceanos e outra parte é absorvida pelas plantas que fazem a fotossíntese. Contudo, uma parte importante do gás carbônico emitido por caminhões e fábricas concentra-se na atmosfera.

A queima do óleo diesel e da gasolina pelos veículos que participam da movimentação de mercadorias ligadas às operações portuárias tem colaborado para o aumento do efeito estufa. O dióxido de carbono e o monóxido de carbono ficam concentrados em determinadas regiões da atmosfera formando uma camada que bloqueia a dissipação do calor. Esta camada de poluentes, tão visível nos grandes centros urbanos e industriais, funciona como um isolante térmico do planeta Terra. O calor fica retido nas camadas mais baixas da atmosfera trazendo graves problemas ao planeta.

Pelo combate à excessiva emissão de gases do efeito estufa, diversos organismos internacionais discutem medidas para reduzir a poluição na atmosfera. O Protocolo de Kyoto, assinado há dez anos, prevê a redução de gases poluentes para os próximos anos. Porém, países extremamente industrializados como os Estados Unidos tem dificultado o avanço destes acordos, alegando que a redução da emissão de gases poluentes poderia dificultar o desenvolvimento comercial e o avanço das indústrias.

Biodiesel
Uma das possíveis saídas para contornar os problemas causados pela emissão de dióxido de carbono (CO2) é a utilização do biodiesel. Esse combustível permite que se estabeleça um ciclo fechado de carbono no qual o CO2 é absorvido quando a planta cresce e é liberado quando o biodiesel é queimado na combustão do motor.

Trata-se de um combustível alternativo de queima limpa, produzido por meio de recursos renováveis. O biodiesel não contem petróleo e pode ser utilizado em motores de ignição a compressão sem necessidade de modificação. A substância não é tóxica, é biodegradável e livre de compostos sulfurados e aromáticos. Está aí um combustível que deve ser olhado com muita atenção para evitar a contínua emissão da “fumaça preta” pelos caminhões, que permanecem como elementos fundamentais no processo de movimentação de mercadorias e operações portuárias.

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