"Nos tempos atuais, não se pode mais se dar ao luxo em discutir qual país vai contribuir em mais ou menos. Os dados científicos apontam que se a temperatura subir mais dois graus Celsius haverá inundações, fome, seca. As consequências serão catastróficas. Não se pode entrar num jogo de cartas onde pode existir o blefe". A avaliação é da coordenadora da Campanha de Oceanos do Greenpeace do Brasil, a bióloga Leandra Gonçalves.

Há cerca de três anos na entidade internacional, ela espera que a 15ª Conferência das Partes da Convenção do Clima (COP-15), em Copenhague (Dinamarca), que teve início nesta segunda-feira (07) e prossegue até o dia 18, tenha resultados honestos e justos. Para ela, os Estados Unidos não têm mais o direito de jogar a responsabilidade na China e esta nos Estados Unidos. "A forma de tratar não pode ser individual".

A bióloga informou ao PortoGente que os cientistas dizem que a meta de redução na emissão de CO2 deve ficar entre 30% e 40%. Este percentual é flexível e pode mudar conforme o país. Leandra Gonçalves avalia que os países maiores têm que assumir um posicionamento maior. "Tem que levar com seriedade a questão do aquecimento".

Quanto ao resultado da Conferência, ela falou ter esperança que a reunião seja proveitosa. "Consideraria absurdo a quantidade de líderes que estarão juntos e pensar que não haverá um acordo. A gente tem que manifestar, exigir que haja resultado. Não queremos que tenham ido até a Dinamarca somente para tirar fotos".

Foto: www.cop15.dk

O primeiro-ministro dinamarquês, Lars Løkke Rasmussen, abriu
o encontro com palavras de esperança em um acordo global

O Brasil é um dos países que assumiu metas - reduzir em 39,6% a emissão de CO2. "Mas é pouco ambicioso. Os números propostos para a redução do gás no planeta foram elaborados em 1990 e o Brasil fala em redução até 2020. É pouco ambicioso porque poderia atingir o desmatamento zero, por exemplo. Esperamos que no Brasil os números virem lei e sejam implementados. Tem que virar lei para a gente poder cobrar". A queima do pré-sal está incluída, mas os ambientalistas consideram o percentual proposto muito baixo.

O Greenpeace estuda a emissão de CO2 em diversos segmentos e o marítimo está incluído. De acordo com Leandra Gonçalves, estão sendo realizados cálculos das emissões e "vimos que navios emitem muito CO2. E os estuários são os maiores captadores de gás carbônico". Ela considera que deveria ser levado em consideração o impacto do porto e os dados levantados deveriam integrar a série de critérios para licenciamento ambiental para a construção de novos portos. "Nunca vi a questão ambiental ser ponto forte no processo do licenciamento. A ideia é não se criar a promessa de que o novo porto será o ponto marcante do futuro".

A bióloga destaca que deve ser dada atenção aos portos já existentes, porque vários estão em estado deplorável. “Ao contrário de investir em Porto Sul [na Bahia], seria interessante investir na recuperação dos já existentes".

O desenvolvimento do comércio exterior brasileiro não precisa ser inibido. Segundo Leandra Gonçalves, as pessoas pensam que o meio ambiente pode prejudicar ou inibir o desenvolvimento. Ela nega isso, mas diz que "não se pode é fazer o desenvolvimento econômico a qualquer custo. No processo, a curva é ascendente, mas depois fica descendente e as consequências são graves”.
 
O incremento no setor marítimo é defendido pela ambientalista. Para ela, as áreas marinhas podem ser utilizadas como grande meio de transporte, substituindo e reduzindo o sistema rodoviário para o transporte de mercadorias. "Mas com regulamentação. Tem que saber qual a capacidade de suporte do tráfego de navios".

Faltando menos de sete meses para que um acordo final quanto ao novo arranjo para o enfrentamento das mudanças climáticas, atendendo ao Protocolo de Kyoto, que expira em 2012, os Estados Unidos ainda são os maiores poluidores do mundo. E, conforme a ambientalista do Greenpeace, números recentes apontam a China como concorrente dos norte-americanos neste ranking.

Leandra Gonçalves traçou um paralelo poluidor entre os Estados Unidos, que pecam pela emissão de gases das indústrias, e o Brasil, pelo desmatamento florestal e a agropecuária. Isso tudo, para ela, é consequência do crescimento desenfreado.

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