A celebração do Dia Mundial da Água no domingo (22) reflete a apreensão da Terra com o uso racional de um dos bens mais preciosos oferecidos pela natureza e que, por ser finito, traz cada vez mais preocupação para políticos, ambientalistas e empresários. A tarefa mais complica, porém, é convencer a população mundial a usufruir corretamente o líquido. Por isso, PortoGente traz a história de uma empresa que mudou a forma de produzir celulose para usar de maneira consciente a água e se tornou referência, provando que dar exemplo é um bom negócio.

 

* Poluição industrial em Cubatão caiu 98% em 25 anos

* Sustentabilidade é gerenciar o reuso de águas e efluentes na indústria

 

A Lwarcel Celulose, que fica em Lençóis Paulista [cidade a 280 quilômetros de São Paulo], venceu no ano passado a 3ª edição do Prêmio Conservação e Reuso da Água, oferecido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Ela adaptou sua linha de produção para usar a menor quantidade possível de água em sua fábrica e reaproveitar o líquido em diversas atividades. Com isso, em apenas quatro anos, diminuiu de 45 mil para 23 mil litros o volume de água gasto a cada tonelada de celulose produzida. Um trabalho árduo, mas que rende frutos até hoje.

 

O gerente de qualidade e meio ambiente da Lwarcel, Pedro Stefanini, explica que sete projetos de reuso e conservação de água foram apresentados na Fiesp no ano passado pela equipe da empresa. Os programas incluíram a mudança da tecnologia de tambores rotativos usados na lavagem da celulose, o reaproveitamento da purga das torres de resfriamento, da água de resfriamento de amostra de condensados, do líquido produzido na máquina secadora, da água de selagem das bombas de vácuo dos lavadores e a redução no consumo de água potável.

 

“Não foi fácil desenvolver este trabalho, mas hoje o consumo de água da Lwarcel é o mais baixo entre as empresas produtoras de celulose no Brasil, posso garantir para você. A premiação da Fiesp no ano passado foi o reconhecimento ao trabalho sério desenvolvido pela empresa dentro da conduta e da linha do desenvolvimento sustentável. Nesse processo, valorizam-se a eficiência econômica, o equilíbrio do meio ambiente e a responsabilidade social. Com ele, ganha a empresa, o setor da celulose e, acima de tudo, o meio ambiente”.

 

A Lwarcel faz parte do Grupo Lwart e tem sob seu comando 727 trabalhadores, sendo que 215 deles atuam na parte florestal e 512 na fábrica de Lençóis Paulista. Já entre os terceirizados, são mais 738 pessoas, sendo 338 na área florestal e os 400 restantes na fábrica. No total, são 1.465 pessoas totalmente conscientizadas sobre o uso racional de água, explica o gerente Stefanini, que está na empresa desde 1988 e se especializou em Meio Ambiente até mesmo na Suécia. “Provamos que integração é a chave. As dificuldades se transformaram em conceito”.

 

Números

Para o leitor ter ciência do quanto somos dependentes da água e o risco que ela corre se não for utilizada da forma correta, alguns números refletem a preocupação global com o líquido. 97% da água existente na Terra é salgada e ocupa mares e oceanos, 2% formam geleiras inacessíveis e apenas 1% é água doce, de lençóis subterrâneos, rios e lagos. 90% da água potável dos países subdesenvolvidos é usada na agricultura, um desperdício absurdo.

 

Cultivar 1 kg de arroz normalmente consome três mil litros de água. Fabricar a farinha utilizada para um pão francês exige 70 litros de água. A produção de um mísero litro de cerveja consome 25 litros de água. É por isso que exemplos como o da Lwarcel merecem destaque. Além de garantir vantagens a valorização da marca e aumento na produção, a empresa dá sua parcela de contribuição à preservação do meio ambiente. “Cada ganho é importante, não importa o montante”, encerra Pedro Stefanini.

Pin It
0
0
0
s2sdefault
powered by social2s

O que você achou? Comente