Acredita-se que a solução por ponte ou túnel esteja finalmente a caminho, já que o governo federal anunciou que em setembro comunicará a escolha pelo modal que ligará as duas margens do Porto de Santos. Para angariar reforços ao projeto do túnel, o movimento Vou de Túnel vem ampliando reforços - já são mais de 70 empresas e instituições que apoiam o projeto. Além do setor portuário, as entidades representativas de engenheiros e empresas deste setor formam um grupo forte que defendem a solução pelo viés técnico.

evento sobre túneisDebate sobre a ligação seca na Associação de Engenheiros e Arquitetos de Santos (AEAS), em 2019.

Há anos os debates ocorridos na Associação de Engenheiros e Arquitetos de Santos (AEAS) sobre a ligação seca vêm apontando o projeto do túnel como mais adequado para as necessidades do Porto e da população. Hoje o Movimento vou de Túnel conta com o apoio da Associação Internacional de Túneis, do Comitê Brasileiro de Túneis e da Associação Brasileira de Engenharia Civil. Também integram o movimento empresas de engenharia especialistas no tema do modal imerso, como a Boskalis, que projetou o primeiro projeto do túnel criado pela Dersa para a ligação seca entre Santos e Guarujá.

Os engenheiros da região acreditam que o túnel evitaria maiores obstáculos no canal do Porto de Santos. “Frisamos a importância do projeto do túnel para o acervo de Engenharia que não temos, a importância de participar de uma obra que não vai ficar obsoleta por 100 anos, da definição de uma obra correta para a atividade correta, do papel da Engenharia Ambiental como relevante para o impacto visual da obra. Por fim, enfatizamos o aspecto financeiro – nas contas da Engenharia, com o túnel, temos uma obra melhor e mais barata. É a Engenharia que acaba mostrando que não cabe obstruir um canal de navegação”, explica o consultor do movimento Vou de Túnel, o engenheiro Eduardo Lustoza.

Com o aumento crescente das movimentações de carga no porto e a previsão de ampliação do fluxo de navios, a tendência é que o número elevado de grandes embarcações reduza o tempo de operacionalidade das balsas, gerando um conflito no tráfego marítimo da região, que deverá prejudicar também os moradores de Santos e Guarujá que dependem da travessia diária.

É o que afirma Álvaro Luiz Dias de Oliveira, presidente da Delegacia Sindical do SEESP – Sindicato dos Engenheiros do Estado de SP - na Baixada Santista. Segundo ele, o projeto do túnel está em sintonia com a proposta do Sindicato dos Engenheiros de SP pelo viés da tecnologia e da inovação.

Segundo o presidente, o projeto trará um ganho significativo para a Engenharia nacional, visto que não há túneis submersos construídos no Brasil, ao contrário das pontes, para as quais já existe tecnologia disponível. Aspectos tecnológicos e financeiros justificam a escolha pelo túnel, salienta.

Além disso, a implantação de uma ponte seria um risco para a ocorrência de acidentes de navios junto aos pilares, enfatiza. Há também, que se atentar para o comportamento do canal diante de um processo de assoreamentos indesejáveis, por conta do aspecto hidrodinâmico das marés, alerta o presidente.

“A opção do túnel atrai mais adesão porque estrategicamente garante segurança da navegação do canal, mantendo prerrogativas operacionais de importações e exportações do maior porto do pais, além das operações do Polo Petroquímico e Industrial de Cubatão”.

O túnel deve integrar um conjunto de obras e soluções logísticas para garantir o custo menor Brasil de exportações, defende. “Além disso, o projeto contribuirá com a redução de tempo do trajeto entre as cidades, que será acompanhado da redução da emissão de gases poluentes, contribuindo com a qualidade de vida da população em geral. Com a segregação de ciclistas e pedestres trafegando com segurança sem respirar gases de combustão, tem-se uma solução ambiental perfeita, destaca. Soma-se também a isso a possibilidade de inserção do VLT no projeto, que completaria a integração entre as cidades e o porto, trazendo conforto e prosperidade para a travessia, valorizando as cidades e o aspecto turístico da região”.

Engrossam o coro da entidade as 9 associações de engenheiros do Vale do Ribeira, que também apoiam o projeto do túnel, afirma Roberto Costa, presidente da Associação de Engenheiros e Arquitetos do Vale do Ribeira, e coordenador da União das Associações de Engenheiros e Arquitetos do Litoral Paulista (UALP). A União abrange os municípios de Registro, Peruíbe, Itanhaém, Mongaguá, Praia Grande, São Vicente, Guarujá, Cubatão, Bertioga. Há ainda, segundo ele, a intenção da Associação de Engenheiros e Arquitetos de Santos voltar a integrar a entidade.

O engenheiro afirma que a solução túnel é a melhor do ponto de vista tecnológico, beneficiando o Porto e a população. Ele acredita que uma obra de grande porte trará muitos benefícios e inovação na sua execução.

A grande maioria de portuários e apoiadores consideram a ponte um projeto inaceitável e inadmissível por vários motivos, considera ele, que defende a divulgação do projeto por meio de audiências públicas.

A Associação dos Engenheiros e Arquitetos de São Vicente afirmou seu apoio ao projeto do túnel em 2019, por uma iniciativa do então presidente da entidade, Luiz Zantuti. “É imperativo que se estude a travessia entre os dois municípios de forma a contemplar os dois fluxos de veículos: o rodoviário e o aquaviário. É uma obra com menores intervenções urbanas e no meio aquático, inexistindo a interferência entre a obra de arte e os navios”.

O engenheiro acredita que o projeto atende aos fluxos rodoviário e aquaviário. Ele considera que a viabilização do túnel tem como um dos caminhos a concessão de serviços públicos por meio da lei de Parcerias Público-Privadas, entre os dois municípios e a iniciativa privada, podendo envolver outras esferas de governo, explicou.

André Monteiro de Fazio, vice-presidente da Associação Brasileira de Engenheiros Civis de SP, enfatiza que uma ligação seca deve agregar valores à sociedade e estabelecer segurança à população. “Esse tipo de solução precisa valer por pelo menos 100 anos, dada a grande responsabilidade de uma obra deste porte”.

Cada lugar demanda um tipo de solução de ligação seca, e no caso da travessia Santos-Guarujá, a melhor solução é o túnel, acredita. Segundo ele, com custo semelhante ao da ponte, o túnel não oferece obstáculo ao calado aéreo do aeroporto de Guarujá e nem impede a navegabilidade do porto. Além disso, abrigará o transporte de massa, incluindo o VLT, pedestres e ciclistas, além de atender ao setor portuário.

O modelo de desestatização deve incluir o túnel na sua proposta, atendendo a uma espera de cerca de 100 anos pela ligação seca, defende. A construção do túnel vai gerar desenvolvimento regional e nacional, dado o potencial do Porto, responsável por 27% do PIB.

Pelo que se percebe, o túnel vem ganhando maior apoio por conta da sua dupla função – atender ao Porto e à população, que necessita de uma boa solução de mobilidade pública. O desafio que fica é a forma de viabilizar financeiramente a obra, tarefa que o Porto, o poder público e o setor privado têm plena condição de realizar, dada a grande riqueza gerada pelo complexo portuário santista.

Marcia editada* Jornalista, fotógrafa, pesquisadora, docente, pós-doutora em Comunicação e Cultura e diretora da Cais das Letras Comunicação. Contato: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

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