A região de Barra do Rio, em Santa Catarina, poderá ter, em breve, o primeiro túnel submerso do País em região portuária. A coluna Cais das Letras conversou com Joao Luiz Demantova, diretor executivo na Consórcio Intermunicipal Multifinalitário da Região da Associação dos Municípios da Região da Foz do Rio Itajaí (Amfri), sobre a construção do túnel Itajaí-Açu, inspirado no túnel Santos-Guarujá. 

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A obra vai beneficiar 11 municípios da Foz do Rio Itajaí, ligando as cidades de Balneário Camboriú, Itajaí e Navegantes. O túnel integra um projeto maior que prevê uma rede de transporte coletivo entre os 11 municípios da Foz do Rio Itajaí, com veículos elétricos e reurbanização de vias. A proposta agradou ao Banco Mundial, que investe em projetos de mobilidade pública.

300 Cais 19JUL2021 3O túnel pré-moldado ainda não conta com projeto de Engenharia, mas inspirou-se no projeto que a Autoridade Portuária de Santos pretende construir. Por ter dimensão menor 300 m), o custo do projeto do túnel Itajaí-Açú é mais barato. A tecnologia adotada é a mesma da que se pretende utilizar na Baixada Santista, com a construção de cada peça que são encaixadas no fundo do mar, como um grande lego.

O túnel Itajaí-Açu, como o da Baixada Santista, prevê três faixas, sendo duas para veículos, uma para ônibus, BRT, além de incluir ciclistas e pedestres. A proposta avançou com a apresentação do projeto ao Banco Mundial

O projeto se tornou possível com a união dos 11 municípios em 2015 para a formação do Colegiado da Amfri e a implantação de um consórcio intermunicipal multifinalitário para implantar obras regionais. O projeto de mobilidade regional conseguiu apoio do Banco Mundial principalmente por conta da proposta de transporte coletivo, com a implantação de um sistema de BRT. O projeto orçado em 200 milhões de dólares terá seu custo total bancado pelo Banco Mundial com apoiador privado e cobrança de pedágio.

O consórcio pesquisou referências internacionais. Demantova esteve presente no seminário realizado na Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Santos, que discutiu o projeto do túnel Santos-Guarujá em 2020, onde conheceu a proposta da Autoridade Portuária de Santos de ligação seca entre as duas margens do Porto.

Como no caso da Baixada Santista, em sua região, a Barra do Rio, discutia há quase 30 anos a possibilidade de construir uma ponte, mas a proposta foi descartada para evitar interferência nas operações do Aeroporto de Navegantes e na navegabilidade do Porto de Itajaí.

O diretor salientou que, ao contrário do que ocorre na Baixada Santista, a região não tem a pressão de um concessionário (Ecovias) para implantar uma obra (uma ponte). Tratou-se de uma decisão puramente técnica e econômica, buscando não inviabilizar a cadeia industrial nas margens do Itajaí-Açu, em especial a portuária.

Os primeiros estudos do projeto de mobilidade regional começaram em 2016 e foram entregues em 2017. O apoio do Banco Mundial veio em 2019. O próximo passo é aprovar o projeto no Cofex (Comissão de Financiamentos Externos) do Ministério da Economia. O Senado também deverá aprovar o empréstimo internacional. Em breve haverá apresentação do projeto à sociedade.

Marcia editada* Jornalista, fotógrafa, pesquisadora, docente, pós-doutora em Comunicação e Cultura e diretora da Cais das Letras Comunicação. Contato: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

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