Publicamos a quarta entrevista da série com prefeituráveis de Santos (SP) que ocupam os primeiros lugares nas pesquisas. A proposta é saber quais os planos destes políticos para o Porto de Santos. Já foram divulgadas as propostas de Douglas Martins (PT), Rogério Santos (PSDB) e Ivan Sartori (PSD). Segue entrevista com o candidato à prefeitura de Santos, Antônio Carlos Banha (MDB).

600 BanhaPrefeiturável Antônio Carlos Banha, do MDB. Crédito: Divulgação.

Quais as ações necessárias para a integração porto-cidade? Qual é a proposta do candidato a respeito deste tema?
Primeiramente, é reestruturar a Secretaria de Portos que deve sair da omissão e agir, não fazer apenas o papel de agente arrecadador de tributos, mas interagir com os atores portuários e discutir mais efetivamente a relação capital e trabalho.

Como fazer com que a almejada expansão da área do Porto beneficie o setor e a população do entorno? Como aliar desenvolvimento econômico com sustentabilidade?
Planejamento. Um plano que alie empresas, geração de empregos, logística, infraestrutura urbana e transporte. É preciso atrair para Santos indústrias de processamentos por meio de uma política de incentivos proporcionalmente à mão de obra gerada. Uma proposta que será boa para a economia da cidade e que, por outro lado, facilitará a logística de exportação da indústria, pois já está no porto. Precisamos também pensar naqueles que trabalham no porto, e, para isso, é necessário ampliar o acesso, a oferta de transportes coletivos e ciclovias. Precisamos estruturar a zona portuária com restaurantes, dormitórios e vestuários para caminhoneiros e trabalhadores do porto e do retroporto, como na Alemoa. Outra questão a ser solucionada são os bolsões de estacionamento para os caminhões.

Como fazer com que os impostos arrecadados no Porto possam ser revertidos para a cidade?
A Secretaria de Portos e o prefeito da cidade têm que olhar pelo setor que lhe dá recursos. É preciso rever a alíquota que foi majorada neste governo em momento em que o caixa da Prefeitura estava estourado. Se as empresas portuárias ajudaram a equilibrar as contas municipais, nada mais justo que agora reduzir a alíquota em troca de empregos para a cidade, estabelecendo regras neste sentido.

Como avalia o processo de desestatização do Porto? Que modelo considera ideal?
O Porto de Santos envolve uma cadeia muito complexa, temos aí os arrendatários, os prestadores de serviços, os trabalhadores portuários e os usuários, o que requer um estudo muito aprofundado, ouvindo os atores portuários sobre o que se pretende com a desestatização. Transferir a administração do porto à iniciativa privada requer que a empresa seja totalmente isenta, que não movimente carga no porto, por exemplo. Não pode haver conflito de interesses. A desestatização visa uma administração técnica que irá transformar o Porto de Santos em um porto de primeiro mundo, um porto do futuro, dinâmico e competitivo. Um modelo ideal de administração privada seria o de concessão como ocorre com as rodovias estatais, por exemplo. A empresa concessionária apenas administraria o porto, cabendo ao Estado a regulação das normas, disciplinas e regras.

Como avalia o processo para realização da ligação seca (túnel ou ponte?). Qual o projeto considera melhor para a cidade e o Porto? Tem atuado ou atuará em prol da defesa da ligação seca? Como?
Primeiramente, precisamos desmistificar a ligação seca entre as duas cidades portuárias. Ponte não combina com porto de alto tráfego de navios. Por isso, precisamos buscar apoio junto aos governos federal e estadual, inclusive da iniciativa privada, para a construção do túnel, um que atenda ao fluxo de automóveis e caminhões.

Marcia editada* Jornalista, fotógrafa, pesquisadora, docente, pós-doutora em Comunicação e Cultura e diretora da Cais das Letras Comunicação. Contato: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

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