O sucesso dos Jogos Olímpicos, a popularização do uso do avião pelos turistas brasileiros e a preferência por destinos nacionais são pontos abordados, nesta entrevista ao Portogente, pelo ministro do Turismo, Alberto Alves. Mas além das perspectivas positivas para o setor no Brasil, o ministro fala de questões como o turismo sexual e justifica a exclusão de 1.170 municípios do novo Mapa do Turismo.

Portogente - Foi publicado o novo Mapa do Turismo Brasileiro - instrumento que orienta o Ministério do Turismo no desenvolvimento de políticas públicas e define as áreas prioritárias de atuação – em substituição à versão anterior, de 2013. Pelo novo mapa, o país passa de 3.345 municípios divididos em 303 regiões turísticas para 2.175 cidades em 291 regiões. Como essa mudança atende ao foco de gestão, estruturação e promoção do turismo de forma regionalizada e descentralizada?
Alberto Alves - A reformulação do novo Mapa do Turismo foi uma estratégia conjunta dos governos federal e estaduais para otimizar o uso dos recursos públicos do turismo. Com essa reestruturação, passamos a priorizar os municípios com total vocação para o turismo, mas trabalhando também com as cidades vizinhas, que também podem se beneficiar com o aumento de fluxo de visitantes. Assim, esse trabalho regionalizado permite ganhos não só para o município que recebe o visitante, mas para toda a região.

Ministro Turismo dentro

Portogente - Conforme estudo do Ministério, a intenção de viajar pelo Brasil superou o desejo de viajar para o exterior nos próximos seis meses. A que se deve essa preferência?
Alberto Alves - Nossos estudos têm mostrado que os brasileiros estão redescobrindo o país. E agora, com os Jogos Olímpicos Rio 2016, essa tendência foi intensificada. Com todos os nossos defeitos e virtudes, o mundo gostou do que viu. Quase 99% dos turistas nacionais disseram que a viagem ao Rio atendeu plenamente ou superou as expectativas. Para além do Rio de Janeiro, muitos brasileiros também aproveitaram os Jogos para conhecer um pouco mais dos deslumbrantes cenários do país. Certamente isso tudo refletirá em ganhos para o turismo do país a médio e longo prazo.

Portogente - Os passageiros de avião avaliaram melhor o serviço nos aeroportos na primeira semana de Olimpíadas em relação a momentos de normalidade operacional. Até dezembro, 63,1% dos turistas brasileiros utilizarão avião como opção de transporte. O Ministério do Turismo pretende fazer gestões no sentido de manter o nível de satisfação dos usuários, de forma a incentivar o turismo?
Alberto Alves - Nosso último levantamento sobre o perfil dos turistas que visitaram o Brasil durante os Jogos Olímpicos mostrou que os aeroportos foram elogiados por 94,6% dos estrangeiros e 91,6% dos brasileiros. E, historicamente, o avião é o meio de transporte preferido pelos turistas brasileiros, conforme nossa pesquisa mensal de intenção de viagem. Sem contar que o Brasil é o terceiro maior mercado de aviação doméstica do mundo. Para aproveitar esse potencial, nós assinamos um acordo com a Secretaria de Aviação Civil (SAC) para que os aeroportos administrados pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) cedam espaços para a promoção dos destinos turísticos nacionais e para implantação de centros de atendimento ao turista. Com esses investimentos, vamos aumentar o fluxo aéreo e impulsionar ainda mais o turismo brasileiro.

Portogente - Estimam-se quantos postos de trabalho criados durante as Olimpíadas, no setor hoteleiro, devem ser mantidos após a competição?
Alberto Alves - Temos visto que, mesmo com a crise econômica do país, o faturamento das franquias de hotelaria cresceu 9% de 2014 para 2015, segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF). É um setor que gera mais de 30 mil empregos diretos. E esse crescimento está ligado principalmente à alta do dólar frente ao real, ao aumento das viagens de negócios após a Copa do Mundo e, no último ano, com os preparativos para os Jogos Olímpicos, e com a chegada de famílias brasileiras da classe média no mercado. Isso mostra que as pessoas continuam viajando e que continuaremos tendo demanda. Essa é uma tendência, especialmente agora que o mundo teve um novo olhar sobre o Brasil com a Olimpíada que realizamos com tanta competência.

Portogente - Qual a política que o Ministério adota para coibir o turismo sexual?
Alberto Alves - Primeiramente, é fundamental reforçar que o governo brasileiro não usa ou reconhece a expressão “turismo sexual”. Esse não é um segmento da atividade turística e, quando envolve crianças e adolescentes, é crime. Para coibir a exploração infantil, há dez anos, nós desenvolvemos o Turismo Sustentável e Infância e, desde então, já investimos mais de R$ 32 milhões nesse programa focado na sensibilização e no engajamento de turistas e profissionais que atuam no setor.

Portogente - Quais as ações do Ministério para promover o turismo histórico e cultural?
Alberto Alves - O turismo histórico e cultural é um dos principais fatores de atração dos turistas que viajam a lazer pelo Brasil. É por meio desse segmento que valorizamos a identidade do nosso povo e ajudamos a preservar a história brasileira. Com essa preocupação, o Ministério do Turismo investe no Programa de Regionalização, que atua na estruturação, desenvolvimento, promoção e comercialização dos destinos com esses atrativos, transformando-os em verdadeiros roteiros e produtos turísticos. Assim, acreditamos que podemos aumentar o potencial e a oferta turística desses lugares e de toda a região em que estão inseridos, contribuindo para melhorar as condições de vida no nosso país.

Portogente - Quais os desafios para o desenvolvimento do turismo sustentável, que divulgue e proteja nossas belezas naturais?
Alberto Alves - O turismo sustentável é um segmento que respeita, não só o meio ambiente e a cultura do país, como também promove o desenvolvimento econômico e social das comunidades envolvidas. Para isso, promovemos, em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e os ministérios do Meio Ambiente e do Esporte, a campanha Passaporte Verde, que estimula os viajantes e empresários a fazerem escolhas sustentáveis. Também apoiamos, em parceria com a Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa), o Prêmio Braztoa de Sustentabilidade, para valorizar iniciativas de empresas do setor, como hotéis, bares e restaurantes, que gerem emprego e renda para os moradores locais, ao mesmo tempo em que contribuam para a preservação de nossos recursos naturais.

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