Ricardo Falcão tomou posse como presidente do Conselho Nacional de Praticagem (Conapra) em cerimônia realizada na noite desta quinta-feira, 6 de fevereiro, no Clube Naval de Brasília. Ele "recebeu o bastão" do então presidente Gustavo Martins e retorna ao cargo que ocupou de 2011 a 2014. Em seu discurso oficial, Falcão ressaltou a importância do trabalho exercido pelos práticos para a segurança da navegação e para a proteção ambiental nos municípios costeiros e também na Bacia Hidrográfica do Amazonas.

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Falcão dá entrevista após assumir a presidência - Foto: Bruno Merlin

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Em duas breves perguntas formuladas por este blog do Portogente, o presidente do Conapra também comentou sobre o desenvolvimento e a incorporação de tecnologias voltadas para a qualificação do prático e sobre o modelo de operação dos portos. Um dos principais objetivos da direção é tornar o trabalho dos práticos mais conhecido do público em geral. "Se há comunidades na Amazônia tirando o seu sustento dos rios, é porque as águas também estão limpas. Se nossos portos estão abertos plenamente para a economia, é porque temos um prático a bordo evitando acidentes e toda uma estrutura dando suporte a esta custosa operação que precisa estar disponível 24 horas", destacou.

Bruno Merlin - O Conapra e as entidades regionais que representam os práticos têm extensa tradição em investir em tecnologia e digitalização das informações. Quais as prioridades de seu novo mandato para este segmento, em especial em tecnologia voltada à segurança da navegação?
Ricardo Falcão - As Praticagens em todo o Brasil estão sempre investindo recursos próprios em tecnologia para manter a qualidade do serviço, como na modernização dos seus centros de operações, na aquisição de novas lanchas, na implantação de sistemas de coleta de dados ambientais e calado dinâmico, no desenvolvimento de equipamentos que auxiliam as decisões do prático, entre outras ações. Ao Conapra cabe oferecer o Curso de Atualização para Práticos (ATPR) obrigatório, cujo programa é adequado às inovações da indústria a cada ciclo de treinamento. Mas temos outras prioridades igualmente importantes para os próximos dois anos, a começar por fazer a Praticagem mais conhecida da sociedade. Por exemplo, se temos praias limpas, é porque a Praticagem está funcionando. Se há comunidades na Amazônia tirando o seu sustento dos rios, é porque as águas também estão limpas. Se nossos portos estão abertos plenamente para a economia, é porque temos um prático a bordo evitando acidentes e toda uma estrutura dando suporte a esta custosa operação que precisa estar disponível 24 horas. É importante ainda que todos os operadores portuários saibam que podem contar com a expertise dos práticos na solução dos nossos gargalos logísticos e no melhor aproveitamento dos projetos, pois somos os especialistas nessas águas onde ocorre toda essa movimentação de carga. Temos muito a contribuir com soluções técnicas para nossas hidrovias e nossos terminais. Infelizmente, também temos que lembrar o tempo todo que a Praticagem do Brasil segue práticas internacionais de segurança, que foram estabelecidas ao longo do tempo com o aprendizado de grandes acidentes. Então, é nosso papel defender este modelo em todas as discussões em que o prático tem total independência para colocar a segurança em primeiro lugar frente a interesses econômicos alheios aos interesses do Estado brasileiro.

Bruno Merlin - Quais os principais gargalos para que os portos brasileiros passem a receber navios maiores e que possam resultar no aumento da produtividade das operações. Quais são as regiões mais propícias para operar este tipo de embarcação e como o Conapra está se preparando para estes "novos tempos"?
Ricardo Falcão - Mais de cem práticos já fizeram treinamento em modelos tripulados reduzidos no exterior, que simulam o comportamento desses grandes navios, mas é fundamental que haja investimentos à altura em dragagem, balizamento, reforço de terminais, rebocadores etc. Caso contrário, o problema da falta de infraestrutura recairá sobre a Praticagem. Outra coisa que temos que pensar é no modelo da operação. Quais portos serão hubs e receberão esses navios maiores? Quais serão feeders? Temos espaço no Brasil para, no máximo, três hubs e são neles que os recursos públicos devem ser aportados: o Norte, exportando pelo Canal do Panamá, Santos ou Rio e quem sabe o Nordeste. Nos demais, quem tiver interesse em acessar com navios maiores que faça os investimentos necessários. Essa deveria ser a lógica, como acontece em outros países.

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