O diretor-presidente da Companhia Docas do Pará, Parsifal de Jesus Pontes, solicitou ao Conselho de Administração (Consad) da empresa licença para tratar de assuntos particulares no período de 23 de agosto a 8 de outubro. O pedido foi aprovado por maioria dos votos. Vinculado ao MDB, Parsifal está de férias até o próximo dia 22. Ou seja, não voltará a trabalhar pelo órgão público. O motivo particular do ex-presidente tem relação com a campanha de Helder Barbalho, também do MDB, ao Governo do Pará. Helder foi ministro da Secretaria de Portos por pouco mais de seis meses durante a gestão da presidente Dilma Rousseff (PT). O pedido de licença encerra-se um dia após o final do primeiro turno. Filho de Jader Barbalho (ex-governador, senador, deputado, ministro e conhecido ocupante de cargos políticos), Helder encabeça uma coligação formada por 18 partidos e é favorito destacado a vencer a disputa.

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Parsifal Pontes no Programa Argumento - Reprodução YouTube

Importante observar que, por lei, a licença solicitada por Parsifal não pode ser remunerada. Nos meses de maio e junho, conforme arquivos publicados no espaço de Acesso à Informação no site da CDP, a remuneração bruta do então diretor-presidente foi de R$ 28.268,22.

A carreira política de Parsifal é intrinsicamente ligada à de Helder Barbalho. Ex-deputado estadual e ex-secretário executivo do Ministério da Pesca (na gestão de Helder), ele assumiu o comando da Docas paraense em 2015. Em comentário público já deixou claro que tem um "compromisso de amizade pessoal e partidário" com seu mentor. A saída do presidente da CDP não é nenhum segredo, já que desde o final de junho o site Portal da Navegação dava como certo o abandono do cargo.

Na ausência de Parsifal, a presidência da CDP deverá ser exercida pela diretora de Gestão Portuária, Maria Helena Moscoso da Silva.

Com este movimento político, é possível constatar que o comando da Docas do Pará não passa de mero instrumento para negociações partidárias, sem qualquer comprometimento com a eficiência dos portos de Belém, Vila do Conde, Santarém, Óbidos, Itaituba, Altamira, Miramar e Outeiro. As demais companhias docas brasileiras são administradas de forma bem similar. Os interesses dos usuários dos portos nem constam na pauta destas direções.

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