Uma das principais carências do setor logístico no Brasil é a formação de engenheiros navais de qualidade. O País conta com dois cursos renomados e tradicionais de formação em nível de graduação: na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP). Algumas outras iniciativas incipientes estão sendo desenvolvidas nas federais de Pernambuco (UFPE), Pará (UFPA) e Rio Grande (Furg).
 
A formação de um engenheiro naval requer extenso conhecimento técnico e téorico. O Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval) prevê a criação de milhares de postos de trabalho para engenheiros navais nos próximos anos e os cursos de formação precisam acompanhar a demanda para que não se justifique a importação de mão de obra.
 
O aumento da quantidade de estaleiros atuando a todo vapor no Brasil exige maior quantidade de profissionais com visão global de todo o processo naval. Os interessados em se arriscar nos cursos de engenharia naval devem saber que irão encarar uma maratona de formação básica com muita física, matemática, computação e química e, posteriormente, terão que se especializar em hidrodinâmica.
 
Ramos
A engenharia naval pode dividir-se em vários ramos:
 
* Engenharia de máquinas marítimas - especialidade da engenharia mecânica que envolve o projeto, a construção, a instalação, a operação e a manutenção dos sistemas de propulsão, controle e produção de energia das embarcações, bem como dos seus sistemas eletro-mecânicos de apoio à tripulação, passageiros e carga;
* Arquitetura naval - lida com o projeto e construção dos cascos e estruturas de uma embarcação, a organização do seu espaço interior, bem como com o seu comportamento hidrodinâmico e hidroestático;
* Engenharia oceânica - lida com a concepção, operação e manutenção de estruturas de exploração de recursos marítimos, especialmente petróleo e gás;
 
Mercado de trabalho
Acontecimentos recentes têm aquecido o mercado de trabalho para o engenheiro naval, como a construção de plataformas para a exploração e produção de petróleo em águas profundas e de embarcações de suporte logístico para essas atividades. Outro fator favorável é que a Transpetro, empresa subsidiária da Petrobras e encarregada do transporte de petróleo e de seus derivados, retomou a construção de navios para atender às necessidades de renovação e ampliação de sua frota. "A Petrobras sinaliza que vai construir cerca de 200 barcos novos de apoio, e uma boa fatia poderá ser desenvolvida em estaleiros nacionais. A empresa arrendou, ainda, parte do maior estaleiro do Brasil e ali há um dique que será usado para manutenção", diz o professor José Henrique Sanglard, coordenador do curso da UFRJ.
 
O Rio de Janeiro destaca-se no setor de construção naval, mas outros estados, como Pernambuco, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, vêm ganhando novos estaleiros e demandando mão de obra especializada. No setor de extração de petróleo e transporte marítimo, os empregos estão não apenas no Rio de Janeiro (pela presença da Transpetro), mas também em São Paulo, que abriga o principal porto do país, o de Santos.
 
Imagem: Globo.com
 
Curso
Esse curso possui dois anos de formação básica com muita física, matemática, computação e química. Em seguida, começam as matérias específicas das engenharias (mecânica de fluidos, termodinâmica e ciência e resistência dos materiais) e da formação profissionalizante (hidrodinâmica, estruturas navais, projeto de navio e plataformas marítimas, construção naval e transporte aquaviário). Em aulas práticas de laboratório, o aluno constrói e testa modelos e maquetes estruturais, não só de embarcações tradicionais como também de submarinos e robôs subaquáticos. O estágio e o projeto de conclusão de curso são obrigatórios.

Duração média: cinco anos

Outro nome: Engenharia Naval e oceânica
 
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