É crítico haver uma metodologia sistemática de seleção de projetos prioritários de infraestrutura no Brasil, além de maior investimento que pode contribuir com a criação de empregos no País – algo extremamente positivo dado o cenário de crise. É o que indica o estudo do BCG (The Boston Consulting Group) "Investimento em Infraestrutura e seu Impacto na Criação de Empregos no Brasil". Segundo o BCG, projetos como rodovias e ferrovias são os que têm o maior potencial para a criação de empregos, representando uma estimativa de pelo menos 37 mil cargos diretos e 110 mil postos de trabalho no total.

Outros projetos, como portos marítimos, hospitais e aeroportos tendem a gerar empregos mais duradouros. O setor de petróleo e gás, por sua vez, ainda que possua uma perspectiva relativamente alta de geração de empregos, tende a oferecer uma qualidade mais baixa de oportunidade profissional, ou de natureza mais temporária.

O estudo aponta que os investimentos em infraestrutura no Brasil têm sido historicamente baixos, apesar de os dados mostrarem a tendência ao aumento da empregabilidade. A atual crise econômica fez com que os aportes caíssem em 2016, atingindo 1,7% do PIB – abaixo da média da África Subsaariana e da América Latina e Caribe (2,8%) e distante do observado na região do Leste Asiático e Pacífico (7,7%).

Segundo a análise do BCG, o processo de seleção de projetos de infraestrutura no Brasil não pode ser uma "caixa-preta", sem critérios muito bem definidos. "Acreditamos que projetos de infraestrutura devam ser selecionados por meio de uma abordagem sistemática, proporcionando transparência e evitando o viés político", diz Thiago Cardoso, sócio do BCG e um dos autores do estudo.

O BCG sugere que a análise dos projetos leve em conta dois enfoques: o impacto social, que considera a população afetada, potencial de criação de empregos e de desenvolvimento social, bem como o impacto econômico, que identifica o efeito de desafogamento do projeto, a possível redução de custos para os usuários do ativo e o potencial de contribuição para as receitas do governo, bem como o impacto no PIB.

Dado o cenário de crise em que o Brasil se encontra, também é importante avaliar os diferentes perfis de empregos criados dentro de cada setor da infraestrutura, pesando de modo favorável os que geram um maior número de oportunidades por bilhões investidos, como também aqueles que tendem a ser mais duradouros. "Embora não defendamos o potencial de criação de empregos como o único critério para a priorização de projeto, na atual crise, ela deve constituir um fator de peso superior, em uma abordagem sistemática para priorizar o investimento de recursos escassos nos projetos mais impactantes", diz Cardoso. Para o especialista, os setores que têm potencial para criar postos de trabalho de "melhor qualidade" (isto é, de longa duração) devem ser particularmente priorizados.

O material mostra também que os efeitos de uma infraestrutura precária são muitos: custos mais elevados para os usuários dos ativos e gargalos logísticos que limitam o desenvolvimento econômico. O índice de qualidade de infraestrutura brasileiro, medido pelo Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês), é bem menor que o de países com níveis semelhantes de riqueza, como o México. O BCG estima que o Brasil ainda terá uma defasagem enorme de investimento em infraestrutura: US$ 800 bilhões nos próximos 10 anos.

O estudo aponta ainda a importância que o setor privado deve desempenhar no desenvolvimento de infraestrutura no Brasil, já que o setor público não tem mais capacidade financeira para fazê-lo. "A infraestrutura deve, claro, manter seu incontestável papel social. Desse modo, os investidores privados devem estar cientes dos vetores e interesses do governo e da sociedade como um todo, sendo transparentes sobre os resultados, impactos e benefícios de seus projetos, bem como buscando continuamente por mais oportunidades no âmbito da infraestrutura", conclui Thiago Cardoso.

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