Trabalhar a bordo de um navio de passageiros é, para muitos jovens, uma oportunidade de conseguir um bom salário e ainda de conhecer vários locais do mundo. Porém, ao embarcar nos transatlânticos os tripulantes se deparam com uma dura realidade. Uma das barreiras a ser superada é o choque cultural. Tripulantes e passageiros de diversas partes do mundo confinados num mesmo ambiente, muitas vezes convivendo por mais de um mês. Os que estão de férias, ávidos por mimos e regalias. Os que estão a trabalho, desejosos em realizar um bom serviço e, de início, ainda um tanto encantados com toda aquela grandiosidade.

 

Mas, a rotina é puxada. São, em média, dez horas diárias de muito trabalho. Além de ter disposição e um inglês afiado, a tripulação deve ser gentil, eficaz e muito simpática com os passageiros a bordo. O salário enche os olhos e bolsos para a realidade brasileira, variam de 800 a 1800 dólares mais as gorjetas.

 

Verônica Mesquita preside hoje uma agência de recrutamento e representa onze companhias diferentes. Viveu esse dia-a-dia por quase seis anos e conta que estar dentro de um navio é como servir o Exército. "Tudo tem horário, tudo tem um lugar correto. A tripulação precisa de muita disciplina para viver dentro de um navio", explica. O desgaste emocional é muito forte. Ela diz que todos os sentimentos tomam grandes proporções. "O tripulante acaba ficando mais exposto às emoções. Apesar de tudo isso, o crescimento pessoal é certo".

 

Hoje, dá treinamentos sobre a vida a bordo e dicas aos selecionados por sua agência. Saber ouvir é uma virtude fundamental para um convívio harmônico com os passageiros. Ela explica que o velho e bom ditado "o cliente sempre tem razão" é a lei número um dentro do navio.

 

Recebe por dia cerca de 500 currículos. Qual o critério para conseguir uma vaga? Ter experiência, principalmente, na área em que deseja atuar dentro do navio. Aqueles que têm vivência profissional em recepção, bares e restaurantes de hotéis saem na frente. A fluência no inglês não é primordial para obter a vaga. Para esta temporada brasileira, por exemplo, Verônica vai inovar e oferecer o curso de aperfeiçoamento da língua.

 

Logo após ser selecionado pela agência, o candidato passa por uma pré-entrevista para, em seguida, fazer o  treinamento. Neste momento, Verônica já orienta sobre vários assuntos e, principalmente, como se comportar para a fase decisiva: a entrevista final com um representante da companhia contratante.

 

Quem tiver persistência, paciência e estômago forte (em todos os sentidos) pode conseguir chegar lá.
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