Não se pode negar a Eike Batista um senso de oportunidade (ou de oportunismo) e chegar pouco antes da hora.

 

Esse momento é fundamental para os negócios. Se chega muito antes da hora, investe-se sem resultados durante muito tempo e quando esses chegam, o empreendedor já faliu ou desistiu. Se chega depois pode ter perdido a oportunidade, encontrando o espaço tomado.

 

Ele percebeu que o Brasil, com atraso de mais de trinta anos, estava absorvendo e aceitando a idéia do porto-indústria. E empreendeu um mega-projeto na região norte do Rio de Janeiro, alavancado por um terminal de minérios, mas com extensas áreas para a implantação de indústrias.

 

São Paulo enfrenta duas grandes restrições geo-ambientais: as escarpas da Serra do Mar estão muito próximas do mar, deixando poucas áreas planas ocupáveis e essas são cobertas pelo que remanesceu da Mata Atlântica, devendo ser preservada. Ademais as áreas ocupáveis o foram por habitações que cercearam a expansão industrial o Polo de Cubatão. Resta a área continental do Município de Santos, cuja ocupação enfrenta fortes restrições.

 

Ainda nos anos setenta, Plinio Assmann, então presidente da Cosipa, tentou desenvolver a concepção de Porto-Indústria em Santos, com a ocupação de áreas já degradadas, com compensações ambientais. Não conseguiu. Esse conceito ficou adormecido durante anos. Suape e Pecém foram concebidos nesse conceito, mas não receberam investimentos para sua efetivação. Isso só veio a ocorrer recentemente e Suape caminha para ser o primeiro grande porto-indústria brasileiro.

 

Foxconn e outros megraempreendimentos "barriga de aluguel" só serão viáveis junto a portos. E o Porto-Indústria de Açu está sendo preparado para recebê-los, desviando empreendimentos que São Paulo não quer mais receber.

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