Em nota oficial divulgada nesta semana, a Associação Brasileira de Caminhoneiros (Abcam), que diz representar de 450 mil caminhoneiros em todo o País, "considera sem resultados a realização de Audiência Pública por intermédio da Comissão de Viação e Transporte", na Câmara dos Deputados, no dia 8 de maio último. A entidade, todavia, reconhece os esforços para a abertura de diálogo consistente, mas diz que "ficaram intocados os temas relacionados ao preço do diesel e de outros derivados, assim como a questão mais recente neles incidentes da anunciada privatização de oito refinarias".

600 Greve Caminhoneiros

A entidade dos caminhoneiros também fala de seu "desapontamento com a ausência de alguns interlocutores convidados da parte do Governo, notadamente o presidente da Petrobrás". Por isso, adverte: "Concretamente não se colocou na mesa qualquer indicação quanto ao tema de interesse imediato e estrutural para os caminhoneiros, a saber, a questão do preço do diesel e de sua flutuação. Nossa assessoria técnica, com base em dados atuais e históricos, sustenta que os derivados do petróleo, notadamente diesel, gasolina e gás, poderiam ficar significativamente abaixo dos níveis atuais, preservando-se adequada margem de lucro para a Petrobrás."

A Abcam indica que, uma condição necessária para isso, é a preservação das refinarias em mãos da Petrobrás, com o que a empresa manteria a situação de monopolista em produção de derivados, o que é, inequivocamente, do interesse da segurança nacional e, portanto, também nosso. E critica ainda: "A subutilização das refinarias, como acontece hoje, é que está inviabilizando preços internos mais baixos do diesel, com clara agressão aos interesses da população, que acaba comprando produtos mais caros de cujos custos participam os preços do diesel, embutidos no frete. Afinal, 75% dos produtos comercializados no país são movimentados por caminhões."

A nota oficial encerra com uma chamamento ao presidente brasileiro, que "determine aos dirigentes da Petrobrás a abertura de um diálogo direto com os caminhoneiros no máximo dentro dos próximos 10 dias, em lugar da conveniência dela".

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