Indubitavelmente, o Mapa Estratégico da Indústria 2018–2022, elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), faz parte do núcleo de ideias e soluções necessárias para se celebrar os 200 anos de Independência do Brasil, com produções e logísticas que assegurem a competitividade e maior participação do produto brasileiro no mercado internacional. Como catalisadores essenciais desse processo, destacam-se combater a corrupção nas instituições e adotar paradigmas inovadores na produção. Como se observa pelo gráfico abaixo, há 5 anos a queda da competitividade global do produto brasileiro é fator de desiquilíbrio da economia, com retração do Produto Interno Bruno (PIB), aumento do desemprego, agravamento da pobreza e, por fim, acentua a desigualdade social. Urge reverter esse quadro sinistro. O que vale dizer que vai depender da nossa visão e das decisões acertadas nos próximos anos.

POSIÇÃO DO BRASIL NO RANKING GLOBAL DE COMPETITIVIDADE
Gráfico Dad 05DEZ2018Fonte: The Global Competitiveness Report 2017-2018 (WEF)

Convém salientar também dois outros fatores que impedem a competitividade global do Brasil. A ineficiência nos processos de liberação, prejudicial à garantia da entrega aprazada e do comércio ágil. Da mesma ordem na escala da competitividade, a elevada tributação nos produtos que participa da composição dos custos finais. Ambos fragilizam a confiança no produto para garantir um retorno satisfatório do investimento.

Tais entraves advêm, principalmente, de uma cultura atrasada e feudal, em que o mercado patrimonial não tem inserção suficientemente necessária no comércio. Tais controles ocorrem principalmente nos portos e aeroportos, com apropriação de oportunidades econômicas e cargos públicos com o "sequestro" político do Estado, como se percebe nas agências reguladoras e ministérios. 

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De qualquer referencial que se observe as resistências ao desenvolvimento brasileiro, elas têm uma saliente causalidade. O maior problema do sistema de logística e produção está na governança. É o que demonstra suficientemente, para ficar em apenas um exemplo, a construção da ferrovia Norte-Sul pela Valec, sob a presidência de Juquinha das Neves. No caso dos portos, processos foram micro divididos entre Autoridades Portuárias, Secretaria Nacional de Portos (SEP), Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil (MTPAC). Ninguém tem meta a ser cumprida, a não ser atender ao político que fez a indicação do executivo de plantão em qualquer desses órgãos. Como o próximo governo vai demonstrar conhecimento dessa realidade, que se reflete na falta de realizações práticas do setor, e como será conduzido o processo de governança na área do ministério da Infraestrutura (ou Transporte)?

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Natural que não faltem críticas aos arranjos que vêm sendo feitos em uma equipe para executar um governo sem programa para o mais importante País do Hemisfério Sul. Principalmente quando se percebe o derretimento de superpoderes da equipe de campanha. Também não falta o exemplo de insucesso de caso similar de ministérios de notáveis que durou quase a metade dos cinco anos para os quais foi eleito Fernando Collor de Mello. Nem tampouco pode-se acreditar, ainda, apenas na ocorrência de posse das molas do poder a partir da repugnância das pessoas com a podridão institucional. Pois, desde o caso do Mensalão, em 2005, escândalo de corrupção política por compras de voto de parlamentares no Congresso Nacional do Brasil, assiste-se poderosos, como Roberto Jefferson, irem para trás das grades conduzidos por policiais federais. No sentido de promover transparência à transição de governo, tem destaque positivo o programa da GloboNews para discutir o governo de transição. Vivemos um momento de reconstrução da história incorporando novas realidades e ideias.

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Decerto que o mito não será por si só suficiente para obter o sucesso esperado por seu robusto eleitorado. Nesta nova trajetória, o futuro presidente vai ter que ampliar seu encanto popular. Como já foi dito aqui, os nomes da sua equipe, em sua maioria, têm aprovação unânime. E como já disse o imprevisível Ciro Gomes, Bolsonaro é o piloto do avião em que todos nós viajamos. Agora o significado deve sobrepujar a apresentação. Os objetivos humanos e sociais brasileiros certamente não cederão frente aos interesses especulativos.

Objetivando clarear a inteligência das propostas e ações do governo Bolsonaro, bem como promover uma reflexão cooperativa e consequente, Portogente, a partir do dia 12 próximo, estará promovendo debate de questões relevantes das logísticas e transportes portuários do Brasil, online e acessado por todas as comunidades setoriais e pela sociedade em geral.

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