A prisão de Lula, neste final de semana, vai alterar a logística do Brasil, no seu sentido mais amplo. O histórico e singular fato acontece em um momento do País diametralmente dividido em opiniões políticas e jurídicas, socialmente mobilizado, com um governo com alta rejeição e, a partir de hoje, em efetiva campanha eleitoral, até 28 de outubro, no segundo turno da eleição presidencial. Podemos esperar seis meses e 19 dias movimentados.

As imagens mostradas do longo e contundente discurso do ex-presidente e a mobilização popular nas mais de 25 horas em que foi retardado o cumprimento da detenção, iniciam a reorganização do lulismo para o próximo pleito eleitoral. Sendo Lula o primeiro nas pesquisas, a ausência até agora de liderança que reorganize o País pode facilitar sua influência no resultado das eleições.

Para o governador do Maranhão, Flávio Dino, “o lulismo é igual o getulismo: tem raizes populares fortes e profundas". E as palavras do próprio Lula, no seu discurso, antes de se entregar à Polícia Federal (PF), faz o paralelo da carta-testamento de Getúlio Vargas: “Eu não sou mais um ser humano, sou uma ideia misturada com a ideia de vocês.” Endereçada ao povo brasileiro, escrita por Vargas horas antes de seu suicídio, nas eleições daquele ano, a carta levantou as massas.

Desse modo, Lula pautou a reorganização política da centro-esquerda, que passa por um movimento sindical em novas bases produtivas, da industria 4.0. A centro-direita, mais dispersa e com Bolsonaro pontuando entre seus demais postulantes, não sinalizou ainda seu novo tempo, e suas visões do mercado. O mundo está mudando, com muita velocidade, e o Brasil vai precisar resolver questões da desigualdade e sua competência de promover bem-estar para sua população. Nesse contexto, qual o projeto de futuro?

Lula nos braços de populares, no dia 7 de abril, em São Bernardo
do Campo, horas antes de se apresentar à PF - Foto: Francisco Proner

A população na rua portando bandeiras verde-amarelas ou vermelhas anuncia um debate político intenso e muito positivo. A polarização ideológica tende para PSDB e PT. Em política há muitas surpresas. Lula tem história de vida para sobreviver na história não como uma lembrança, mas como um fermento ativo. O apoio de Temer será fator de avaliação de candidaturas, mais para o mal do que para o bem.

Em um cenário político solapado por corrupção e arranjos partidários açodados, o tempo à frente define uma campanha relâmpago. O instante de crise que vivemos determina uma grande oportunidade de mudança. E sob a ótica do Brasil no cenário mundial, a chance de sucesso é grande.

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*O Dia a Dia é o editorial do Portogente publicado de segunda a sábado e expressa fielmente a posição coletiva dos responsáveis pela redação do website