O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) sinalizou que quer abrir mão de garantias da União para emprestar um pacote de bondades aos municípios e Estados no valor de R$ 4 bilhões, incluindo uma maioria sem condições de empréstimo. Fatos absurdos e negligentes como esse e comparando os valores das suas operações, são indícios de que, se investigados, virão à tona muitos escândalos.

GalloroRogério Galloro, novo diretor da Polícia Federal.

Quando se percorre as diversas cadeias logísticas portuárias no País pode ser constatado que muitos empréstimos de bilhões de reais do BNDES financiando a melhoria de infraestruturas não cumprem as metas contratuais. E órgãos fiscalizadores também deixaram de cumprir plenamente o seu papel.

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O caso das obras da Ferrovia Norte Sul é ilustrativo do esquema de desvio de verbas no qual foi investido dinheiro do banco, que deveria promover o desenvolvimento sustentável e competitivo da economia nacional. Fraude em licitações, superfaturamento, descumprimento de prazos, desperdícios, não permitiram que até hoje essa obra fosse plenamente concluída, passados 31 anos.

Projetada para ligar a Amazônia ao porto gaúcho de Rio Grande, com uma extensão de 4.155 km, apenas pouco mais de 1.600 km foram construídos. Talvez a mais nítida imagem do modo que a corrupção permeia o banco de investimento brasileiro. Um sinal inequívoco de que ainda falta muita transparência nos investimentos públicos no Brasil.

Como afirmou, há quatro anos, o procurador da República Hélio Telho Corrêa Filho, comentando o escândalo da Lava Jato: o do BNDES será maior ainda. Porque a corrupção floresce em ambientes onde há muito dinheiro, nenhum controle, muito sigilo e impunidade total. E completa: a Controladoria-Geral da União (CGU) não fiscaliza, o Tribunal de Contas da União (TCU) não consegue fiscalizar e o Ministério Público Federal não tem acesso.

Infelizmente, enquanto a luz do dia não chegar às operações do BNDES, o Brasil continuará perdendo eficiência, competitividade e oportunidade de gerar trabalho, bem como de promover sustentabilidade. Entre tantas outras, são razões suficientes para o novo diretor da Polícia Federal, Rogério Galloro, iniciar uma brilhante carreira no seu novo cargo.

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