A comunidade portuária se organiza para fazer contribuições para o processo de desestatização do Porto de Santos, mas essa é a hora de toda a sociedade conhecer e fazer sugestões (qualquer pessoa está apta) ao projeto, que inclui ações que interferem diretamente na região. Dentre elas, a que mais pode influenciar na mobilidade pública e na relação porto-cidade, o túnel ligando Santos a Guarujá.

Cais das Letras 26JAN22

O projeto de ligação seca, aguardado há 100 anos, vai realmente se concretizar este ano? Esta é a pergunta que a população faz, juntamente com o setor portuário. Apesar de haver uma descrença de parte da sociedade sobre o fim do mito da ligação seca, o esforço do governo atual de deixar um legado em infraestrutura pode ser um indicativo de que o processo, que enfrentou tantos obstáculos políticos no passado, se realize.

Além da consulta pública sobre a desestatização do Porto, estão previstas pelo menos duas audiências presenciais, uma no início de fevereiro, e outra em março, segundo o jornal Valor Econômico. Um desafio, no entanto, é aprovar o projeto como um todo, diante de ressalvas apresentadas pelo setor portuário.

A proposta de realizar o projeto do túnel separadamente da privatização do porto é uma forma de garantir que ele se efetive em ano eleitoral. Há um temor de que não haja tempo hábil para o leilão ocorrer ainda este ano, por conta dos trâmites que incluem também o Tribunal de Contas da União (TCU).

O novo operador do porto deverá disponibilizar os recursos para a obra do túnel, mas não deve executar o projeto diretamente. Para isso, o governo deverá realizar uma segunda concessão para a construção da obra.

É obrigação de qualquer governo investir em infraestrutura, uma forma de retornar os impostos investidos pela população e pelas empresas. Do ponto de vista técnico-logístico, a demanda de movimentação de cargas exige investimento em acessos no Porto. Mas só a pauta da mobilidade pública, e a necessidade de se acabar de vez com o martírio diário das pessoas na fila da balsa entre Santos e Guarujá, já justificaria, por si só, a necessidade centenária da ligação seca.

Que venham as consultas públicas e o debate para que a sociedade faça parte das decisões que beneficiem Santos e Guarujá. Neste tempo em que comemorarmos o aniversário de Santos (26 de janeiro) e de 130 anos do Porto (2 de fevereiro), é hora da população usufruir da riqueza que este complexo portuário gera para todo o País. E o melhor presente na relação porto-cidade é a melhoria da qualidade de vida para todos.

Marcia editada* Jornalista, fotógrafa, pesquisadora, docente, pós-doutora em Comunicação e Cultura e diretora da Cais das Letras Comunicação. Contato: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

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