A proposta do governo federal é transformar o Porto de Santos no maior do Hemisfério Sul. O desenvolvimento do setor vem sendo amplamente discutido e, nesse contexto, a infraestrutura logística ganha papel imprescindível. Nesta terça-feira (1/12), quando o secretário Nacional de Portos e Transportes Aquaviários, Diogo Piloni, vem a Santos para discutir o desenvolvimento do Porto, esse debate virá à tona novamente, com possíveis novos capítulos sobre as decisões que envolvem o setor, a exemplo da polêmica da ligação seca ligando as duas margens do Porto de Santos.

Porto Santos AGO2018Porto de Santos e o crescimento sustentável necessário.

O crescimento do Porto vem sendo trabalhado por meio de um conjunto de ações: leilões, investimentos na malha ferroviária para escoamento de mercadorias do Centro-Oeste, melhorias no acesso rodoviário e aumento da capacidade de escoamento, aumento do desempenho do canal, incremento do acesso terrestre ao Porto de Santos e aprovação da BR do Mar. Em sua última visita a Santos, o ministro reforçou a importância do BR do Mar, falou sobre como preparar a infraestrutura e os acessos do Porto para os novos arrendamentos e para o desenvolvimento do setor.

“A preparação da estrutura já vem ocorrendo com as obras dos ramais ferroviários. Um dos objetivos é manter o valor dos arrendamentos dentro da companhia, dotá-la de condições de investir nos acessos, então a gente vai ver melhoria nos acessos rodoviários e ferroviários”. E os planos para o modal ferroviário continuam: “A gente já tem os terminais na margem esquerda sendo melhor servidos por ferrovias, temos uma pera ferroviária, temos outra pera e estamos estudando uma solução para a Portofer, de maneira que a gente possa trazer mais investimentos e também diminuir o custo”, disse Freitas ao Portogente.

Segundo o ministro, a processo vai depender do modelo de governança que o Minfra vai adotar. “Temos dois caminhos possíveis. Um é entregar essa concessão para um novo concessionário do Porto de Santos; dois, e mais provável, que a gente constitua uma sociedade específica com todos os operadores portuários de Santos. No final das contas a gente vai estabelecer um modelo de governança, uma regra para investimento, equação tarifária. Isso vai concorrer para a melhoria dos acessos, melhoria da modernidade na Cidade”.

As melhorias precisam beneficiar principalmente o trabalhador portuário: “Conversamos hoje na companhia (Codesp) sobre pátio para caminhões e uma estrutura melhora para recepção para os caminhoneiros. A gente julga da mais alta relevância. A gente vai ver esses acessos melhorando bastante adequados aos investimentos que os terminais farão nos próximos anos”, disse.

Ligação seca
A modernização do Porto precisa incluir benefícios para quem trabalha e vive na Baixada Santista. Embora grande parte da população ainda acalente alguma descrença em relação à concretização da ligação seca, o tema foi reaquecido com a declaração do ministro de apoio à construção do túnel, por considerá-lo mais adequado às operações portuárias. “Estamos estudando também possibilidades da travessia seca Santos-Guarujá e talvez aí incorporando no novo modelo de desestatização. Todo esforço para melhorar a questão dos acessos será feito. Esses investimentos já estão sendo programados e alguns já estão em realização”.

Para além da expansão do setor do ponto de vista territorial e da ampliação da movimentação de mercadorias, o debate sobre infraestrutura e logística precisa priorizar não só o desenvolvimento do Porto, mas das cidades que o rodeiam. Na região, a campanha Vou de Túnel, organizada por um grupo de empresas e instituições apoiadoras do modal, tem promovido ações para mobilizar a população da região sobre as vantagens do projeto para o Porto e as cidades.

Em contrapartida, o governo estadual continua lutando pelo projeto da ponte da Ecovias, ainda que o Porto considere a opção um entrave ao seu desenvolvimento (operação e expansão). Neste sentido, debates públicos com a população são importantes para explicar vantagens e desvantagens das duas propostas. A solução da ligação seca precisa atender às demandas das cidades de Guarujá e Santos e dos moradores da região, a partir de uma análise técnica dos dois projetos, ponte e túnel. Uma obra dessa envergadura deve atender tanto às demandas do Porto quando de mobilidade pública.

Marcia editada* Jornalista, fotógrafa, pesquisadora, docente, pós-doutora em Comunicação e Cultura e diretora da Cais das Letras Comunicação. Contato: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

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