A representação popular

Levando em conta que a função principal é representar os interesses da população perante o poder público, a coluna encerrou 2019 ouvindo os vereadores de Santos sobre o tema.

Ponte Coluna JAN2020 Parte2

Dos 21 vereadores do município, 16 responderam às questões colocadas pela coluna. Apenas cinco vereadores – Roberto de Jesus (PSDB), Sérgio Caldas Santana (PL), Roberto Teixeira (PSDB), Fabiano da Farmácia (PL) e Bruno Orlandi ainda não enviaram as respostas para a coluna "Cais das Letras".

Daqueles que falaram à coluna, chama a atenção a discrepância das respostas. Enquanto alguns poucos vereadores demonstram conhecimento sobre o tema, a maioria parece não ter acesso aos projetos de ligação seca. Será que essa mesma visão reflete a da população de Santos?

Quatro vereadores acreditam que o túnel é a melhor solução para a região. Ademir Pestana ((PSDB) defende um projeto que valorize a mobilidade entre as cidades. Fabrício Cardoso (PPSB) prefere o túnel, mas se for decidido pela ponte, que ela seja construída, afirma. Lincoln Reis (PL) acredita que o túnel interfere menos no ambiente urbano no município. Adilson dos Santos Junior (PTB) é da mesma opinião e argumenta que, se o problema é o custo, que se encontre recursos para a melhor solução.

Sadao Nakai (PSDB) – não define prioridade, apenas defende o projeto que seja melhor para a cidade. Outros 6 vereadores defendem os dois projetos. Telma de Souza (PT) propõe como alternativa outro túnel, mas também ressalta que a ponte precisaria ser construída. Antonio Carlos Banha Joaquim (MDB) defende o projeto que sair mais rápido. Audrey Kleys (PP) vê vantagens no túnel, mas acredita que qualquer projeto de ligação seca precisa ser realizado. Braz Antunes (PSD) considera que a ponte é uma obra mais fácil de ser construída, mas que o túnel é a melhor solução. Para Chico Nogueira (PT), a região precisa ter túnel e ponte, mas ela não pode atrapalhar o canal. Benedito Furtado (PSB) defende a ligação da área insular à continental.

Para Zequinha Teixeira (PSD), o único questionamento a respeito do projeto da ponte é o local escolhido (Alemoa – Ilha Barnabé). Geonísio Pereira (PSDB) vê na proposta da Ecovias a possibilidade de desenvolver a Área Continental de Santos, mesma postura de Manoel Constantino (PSDB), que defende a ligação da parte insular de Santos com a Área Continental. Rui de Rosis (MDB) defende a construção urgente da ponte como forma de resolver o problema da ligação seca, “tão aguardada pela população”. Jorge Vieira (PSDB) é a favor da construção da ponte, mas demonstra desconhecimento e desinteresse pelo tema da ligação seca.

A coluna também buscou ouvir os vereadores de Guarujá, mas por enquanto, somente alguns dos representantes da Câmara responderam ao Portogente. Pretendemos divulgar a opinião dos vereadores guarujaenses na próxima coluna.

Informar para melhor decidir
O grande impasse para decisão sobre qual projeto de ligação seca deve ser realizado está diretamente ligado à falta de diálogo entre o governo federal, leia-se Autoridade Portuária e Ministério da Infraestrutura, e o governo estadual. Mas um projeto de logística e mobilidade precisa levar em conta todos os agentes – o porto, a cidade, e principalmente os moradores da região.

Um projeto de logística e mobilidade pública para uma região portuária vai muito além de pensar o desenvolvimento econômico. Para além da circulação de mercadorias, é preciso pensar a qualidade de vida de quem trabalha e depende do transporte metropolitano, incluindo quem trabalha no Porto e em outros setores da região.

Temos o direito de escolher o melhor projeto de ligação seca para a região – que será custeado por todos nós, e aqui reforçamos que a extensão da concessão é, sim, recurso público - mas só faremos isso se tivermos conhecimento mais aprofundado do tema. A sociedade, como um todo, precisa ter acesso aos projetos do túnel e da ponte. O debate tem que sair dos gabinetes e ser ampliado. Uma audiência pública sobre o EIA/RIMA é pouco para a população, já que outros debates foram, na sua maioria, fechados e organizados pelos atores interessados por um ou outro projeto. Como em muitos países já é adotada, é preciso pensarmos no conceito de Licença Social para Operar, a LSO, onde o conceito geral é difundir a informação sobre um empreendimento para todos os cidadãos que sejam influenciados. A informação, sabemos, é a maior arma para o exercício da democracia.

Marcia editada
* Jornalista, fotógrafa, pesquisadora, docente, pós-doutora em Comunicação e Cultura e diretora da Cais das Letras Comunicação. Contato: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

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*Todo o conteúdo contido neste artigo é de responsabilidade de seu autor, não passa por filtros e não reflete necessariamente a posição editorial do Portogente.

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