O desenvolvimento do transporte aquaviário no Brasil ainda enfrenta inúmeros obstáculos. É grande a dificuldade para atrair cargas que hoje estrangulam as rodovias nacionais. Nos últimos seis anos, PortoGente veiculou alguns desses entraves. A burocracia envolvendo documentos para fiscalização e a adequação ambiental exigida pelos órgãos reguladores ainda aparecem como grandes desafios para serem superados.

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Mas há, também, fatos positivos. É notável o aumento do número de empresas que investem em projetos de cargas para serem movimentadas em hidrovias brasileiras, como a Tietê-Paraná. Cargas de grande periculosidade e que causam acidentes de grandes proporções, como os combustíveis, começam a sair das estradas e ocupar espaços no transporte fluvial. A Transpetro, o braço logístico da Petrobras, já trabalha com a perspectiva de crescimento de movimentação de álcool por hidrovias e dutovias. Está em andamento, inclusive, o processo de construção de um duto no final da mesma Tietê-Paraná, ligando o rio à cidade de Paulínia, polo de empreendimentos industriais no interior paulista.

No entanto, é obrigatória a elaboração de planos de contingência para evitar grandes tragédias em caso de incidentes no transporte aquaviário. De acordo com o vice-coordenador do Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial (Esalq-Log), José Eduardo Holler Branco, as empresas que investem nesse modal de transporte para movimentação de combustíveis precisam efetuar a adequação ambiental das barcaças para cumprir as exigências legais. A legislação ambiental, segundo apontou ao PortoGente, exige reforços no caso das embarcações e outras adaptações que exigem grandes mudanças nas barcaças hoje utilizadas no transporte aquaviário. “A principal preocupação é com a contaminação ambiental em caso de acidentes e vazamentos”.

Empresas que trabalham com outros tipos de carga também investem nas hidrovias para aumentar a sua competitividade diante do concorrido comércio internacional. Branco, que é engenheiro agrônomo, cita a Caramuru, principal empresa de processamento de soja e milho no País, que tem uma unidade de moagem instalada às margens da hidrovia Tietê-Paraná, no sudoeste goiano. No entanto, explica o pesquisador, é preciso aperfeiçoar o transporte intermodal no País, já que a maioria das hidrovias, como a Tietê-Paraná, não chega a portos como o de Santos. “[Os embarcadores] precisam do transporte rodoviário nas duas pontas. Isso diminui um pouco a produtividade”.

Foto: www.saopaulo.sp.gov.br

A hidrovia Tietê-Paraná é um notável corredor de exportação

Outro entrave observado para o desenvolvimento da intermodalidade, aponta Branco, está na notificação da documentação da carga nos diferentes modais de transporte utilizados para a movimentação da mercadoria. Segundo ele, uma regulamentação mais clara irá facilitar esse tipo de procedimento.
 
Os principais benefícios da utilização do transporte aquaviário já são bastante conhecidos. A menor emissão de gases causadores do efeito estufa, a redução de custos e o fato de desafogar as congestionadas rodovias brasileiras são fatores essenciais para a adoção das hidrovias como principal alternativa de transporte sustentável no Brasil. Os investimentos nesse modal também são menos onerosos dos que os necessários em linhas ferroviárias e estradas. Os recursos necessários para viabilizar uma hidrovia com uma profundidade adequada para barcaças são muito mais factíveis ao mercado nacional.

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