As previsões meteorológicas não servem apenas para saber, simplesmente, quando fará sol ou quando irá chover. Saber antecipadamente detalhes sobre as condições climáticas de determinados períodos é fundamental para agricultores e atletas, entre outros profissionais. No meio marítimo não é diferente. A meteorologia é parte integrante do cotidiano de quem trabalha com o mar.

 

A Marinha do Brasil mantém o Centro de Hidrografia e Navegação, órgão com uma equipe disponível para fornecer informações sobre o clima e sobre os oceanos 24 horas por dia. Com eles não há tempo ruim. E se houver, avisos de mau tempo são divulgados para que comandantes de navios e demais interessados possam se programar.

 

O capitão-de-fragata e superintendente de Meteorologia e Oceanografia do Centro de Hidrografia e Navegação da Marinha, Antônio Cláudio Magalhães Vieira, explica que dependendo da previsão do tempo os responsáveis por um navio podem alterar rotas e decisões importantes. “Com uma previsão do que irá ocorrer é mais seguro calcular o que deve ser feito, gerando uma economia de recursos”.

 

O Centro de Hidrografia da Marinha produz e divulga previsões meteorológicas para a área marítima de responsabilidade do Brasil. O objetivo, de acordo com o capitão Vieira, é atender aos compromissos assumidos pelo país com a comunidade marítima. “A Marinha não é a única a coletar informações relacionadas à meteorologia. Há vários institutos meteorológicos do Brasil que fazem serviço similar. No entanto, também coletamos e analisamos dados porque quanto mais informações de qualidade geradas, melhor para o navegante”. O Centro produz dois boletins meteorológicos por dia.

 

As previsões efetuadas pela Marinha vão além do simples “tempo ensolarado ou instável”. São divulgados avisos de mau tempo para que todos possam se precaver de perigos climáticos. Vieira destaca que não é possível ter certeza da hora e o local exatos de determinado fenômeno da natureza. “Ainda há limitações nessa arte chamada meteorologia, afinal, não se trata de algo matemático”. Todavia, quem consultar as informações geradas pela Marinha, encontra dados eficazes para se ter um panorama geral do que encontrará pela frente.

 

Avisos de mau tempo

Os avisos de mau tempo englobam ventos fortes, ondas maiores de 3 metros em águas profundas, visibilidade restrita a menos de um quilômetro de distância e grandes ressacas. Todos esses fatores prejudicam a navegação de embarcações. O alerta da meteorologia pode ajudar a evitar acidentes e imprevistos em alto-mar.

 

A Marinha coloca à disposição dos interessados, também, a carta sinótica. A carta sinótica é um mapa no qual são representados elementos meteorológicos selecionados, sobre uma vasta área em um determinado horário. O capitão Vieira, especialista em oceanografia operacional, lembra que são necessários alguns conhecimentos básicos para interpretar a carta. Dessa forma, é essencial que os navios tenham, entre os tripulantes, pessoas preparadas para analisar a carta em alto-mar.

 

Como consultar

Os equipamentos utilizados para coletar informações são de propriedade da Marinha do Brasil. Uma equipe técnica e preparada recebe o que foi gerado e divulga os produtos (avisos, cartas...) que vão alimentar os usuários. Quem precisar das informações pode utilizar um dos métodos de disseminação das informações.

 

  • Internet, por meio do website www.mar.mil.br/dhn/met;
  • Rádio facsímile;
  • Rádio telefonia, através de retransmissão da Embratel;
  • Contato de Rádio com a Marinha do Rio de Janeiro.

Além disso, Vieira frisa que sempre há pessoas de plantão na sede da Marinha em Niterói para que dúvidas possam ser eliminadas por telefone.

 

Como acontece

A variação climática é determinada por processos radiativos e químicos que ocorrem na atmosfera. Para se medir a temperatura são usados os famosos termômetros, que podem ser elétricos, de álcool ou de mercúrio (como aqueles caseiros, usados para tirar a temperatura e descobrir se a pessoa está febril). O meteorologista mede a temperatura onde está o aparelho. Este local é conhecido como abrigo meteorológico.

 

As massas de ar são conhecidos fenômenos meteorológicos. Elas são porções de ar atmosférico que apresentam, dentre suas características, as condições gerais do tempo dos locais onde se formam.

 

Vieira conta que as massas de ar causam sempre os maiores problemas. Podem gerar fortes rajadas de vento e tempestades. “Em geral as mais perigosas são de curta duração. Embora não pareça, podem abalar a estrutura de embarcações e oferecer riscos a quem estiver em alto-mar”.

 

O deslocamento das massas acontece por causa da diferença de pressão e temperatura entre as diversas áreas da superfície. Essa informação é fundamental para quem está navegando em alto-mar. Saber como estão transitando as massas e o que virá a acontecer ajuda no planejamento da navegação.

 

As massas de ar, segundo o capitão Vieira, são associadas a sistemas de baixa e alta pressão. As áreas de baixa pressão são receptoras de ventos. Geram instabilidade atmosférica caracterizada por grande nebulosidade e precipitação elevada. Além disso, podem formar ciclones extra-tropicais, mas somente nos trópicos.

 

As áreas de alta pressão, entretanto, tendem a ter menor temperatura. Dentre as principais características estão não ter nebulosidade e possuir estabilidade atmosférica. Em linguagem leiga: são os ventos fracos.

 

Tromba d’água

O capitão Vieira ressalta que o tornado é o fenômeno meteorológico mais intenso que existe. Quando ocorre na água, o fenômeno é chamado de tromba d’água. “Embora tenha curta duração, trata-se de um risco real. Não é possível elaborar uma previsão detalhada, por causa das limitações da meteorologia”.

 

As trombas d’água são mais comuns em oceanos quentes. Um contato com embarcações, plataformas ou qualquer tipo de material que fique sobre a tromba d’água pode causar prejuízos e tragédias de proporções catastróficas. 

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