O Porto do Recife é administrado pelo Governo do Estado de Pernambuco. Está localizado na parte leste da cidade, às margens dos rios Capibaribe e Beberibe, que deságuam no Atlântico.

 

Tem sua base operacional centrada na movimentação de granéis sólidos, compreendendo grãos, clínquer (escória usada como tijolos para pavimentação), barrilha (produto químico usado na fabricação de vidro e sabão) e carga geral. Diferencia-se dos demais portos por situar-se num centro urbano e conseguir operar sem interferir na cidade.

 

A presidência do porto está a cargo do veterinário Carlos José de Santana desde 14 de abril deste ano. Ele é casado, tem 49 anos e costuma pescar nas horas de lazer. Concedeu entrevista para a série de reportagens Portos do Brasil.

 

PortoGente: Como está a movimentação, as cargas e os destinos?

Carlos: O Porto do Recife movimenta uma média de 2,2 milhões de toneladas anuais.  Neste ano esperamos superar nossas expectativas, uma vez que até novembro foram 2 milhões 205 mil toneladas e em dezembro a movimentação deve ser em torno de 300 mil toneladas.  Assim, teremos neste exercício uma movimentação total de cerca de 2,5 milhões de toneladas. As principais cargas são açúcar, trigo, milho, malte de cevada, fertilizantes, clínquer e barrilha. As importações são efetuadas da Argentina e países da América do Norte e Europa. As exportações dirigem-se para países da África, América do Norte e Europa.

  

PortoGente: Quais são os investimentos públicos e privados?

Carlos: Foram poucos os investimentos públicos e privados nos últimos cinco anos.  Registramos exclusivamente o investimento efetuado pelo Governo do Estado de Pernambuco, da ordem de R$ 3,5 milhões, para a realização de serviços de dragagem do canal de acesso, da bacia de evolução e dos berços de atracação.

 

 

PortoGente: O que é feito para atrair novos negócios?

Carlos: A nossa visão é a de que o porto faz parte de um sistema econômico. Por esta razão, deve buscar em toda a sua zona de influência cargas que poderiam ser movimentadas por via marítima, partindo para uma ação de agregação de valores de todos os que compõem a cadeia logística para que a movimentação tenha sucesso. O papel do porto é vislumbrar na cadeia sistêmica todos os óbices que porventura possam dificultar a operação e tratar de minimizá-los, contribuindo com a redução de custos de forma a viabilizar o negócio.

 

PortoGente: Qual é o ponto fraco da logística portuária?

Carlos: Possuímos apenas dois acessos terrestres para veículos rodoviários e um ferroviário, este último bastante comprometido. Sua localização na foz de rios implica numa dragagem de manutenção constante para manter a profundidade. Além disso, faltam investimentos privados em equipamentos voltados a agilização e eficácia da movimentação de mercadorias.

 

PortoGente: O que tem sido feito na área de segurança?

Carlos: A partir de junho de 2004, o Porto do Recife foi adequado às novas normas de segurança do ISPS Code, compreendendo o monitoramento e o controle da entrada e saída de pessoal e de veículos de toda zona primária, de maneira a prevenir danos ou atos ilícitos.

 

PortoGente: Como é a relação com o meio ambiente?

Carlos: Considerando a localização do porto numa ilha dentro da cidade, é exigido que os operadores mantenham em dia suas licenças ambientais e avaliações sobre riscos, uma vez que as principais cargas movimentadas, como fertilizantes e coque de petróleo, requerem cuidados especiais.


PortoGente:
O porto investe no aperfeiçoamento do trabalhador? 

Carlos: A administração mantém uma relação próxima com o Órgão Gestor de Mão-de-Obra (Ogmo), facilitando e incentivando o treinamento dos trabalhadores.

 

PortoGente: Como é feita a integração com a cidade?  

Carlos: Por localizar-se numa ilha no centro da cidade, o porto tem a preocupação de que suas atividades interfiram o menos possível e não causem dificuldades ao trânsito. Portanto, destinamos uma área ampla para triagem e estacionamento de veículos de carga, ônibus e demais veículos que demandam ao cais.  É grande também a fiscalização no que diz respeito à sinalização, peso dos veículos e das cargas. Do ponto de vista urbanístico, estamos debatendo com o município sobre o reordenamento de zonas que, em decorrência do tipo de cais e da profundidade dos berços, não representam atratividade à operação portuária.

 

 

PortoGente: O que o futuro reserva ao Porto do Recife?

Carlos: Nosso porto está próximo aos grandes centros consumidores e sua área de influência atinge quase todos estados do Nordeste. Temos um cais acostável de 2.960 metros de comprimento, com 16 berços de atracação, área de apoio para armazenagem coberta de 48.500 metros quadrados e descoberta de 80 mil metros quadrados. Concluí-se que o futuro do Porto do Recife passa por uma definição da sua vocação, a qual nós entendemos que desde a sua origem está voltada para a atividade comercial de abastecimento local e regional.

Crédito
Fotos panorâmicas: Flávio R. Berger
Foto entrevistado: Assessoria de Comunicação do Porto do Recife.

Website: www.portodorecife.pe.gov.br

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