Na segunda matéria da série, Portos do Brasil, o site PortoGente entrevista o engenheiro e presidente do Porto de São Francisco do Sul Fernando Camacho, que ocupa o cargo desde 94. Com 60 anos, casado, dois filhos e um neto, não possuí um hobbie específico, pois segundo ele o trabalho é seu maior prazer.

 

Nessa entrevista Camacho faz um perfil do que acontece no dia-a-dia do cais francisquense.

 

Portogente -  Que adaptações e melhorias estão sendo feitas no Porto de São Francisco do Sul? E quais as áreas serão beneficiadas?
Camacho - Foram firmadas parcerias com a iniciativa privada, no sentido de agilizar as operações portuárias. As empresas Bunge e Terlogs investiram cerca de US$ 20 milhões no Corredor de Exportação e mais de US$ 8 milhões em dois Ship Loaders que começaram a funcionar em fevereiro de 2004. O uso dos equipamentos triplicou a capacidade de carregamento, que era de 1.000 toneladas/hora. Neste ano devem iniciar as obras de reforço e recuperação dos berços 102 e 103, com conclusão prevista ainda para 2005, proporcionando um aumento em
torno de 50% na movimentação geral de cargas. Também está prevista a construção do Centro Operacional, para reunir em uma única edificação as gerências operacionais da APSFS, órgãos que prestam serviços essenciais às operações portuárias, como ANVISA, Ministério da Agricultura, IBAMA, Receita Federal e ainda OGMO, espaço para trabalho dos despachantes aduaneiros, auditório, salas de reuniões e posto bancário. No mês de abril o Porto de São Francisco do Sul, através da presidência e do Governador do Estado, Luiz Henrique da Silveira, assinou um protocolo de intenções com o Porto de Le Havre, localizado na
França, visando troca de experiências em atividades portuárias,
infra-estrutura. Estudos de mercados, incrementos de importação e exportação entre os dois países, pelos dois portos, formação de equipes técnicas portuárias, promoção de relações com entidades constitucionais, que poderão ser privadas ou comerciais, além do trabalho direto com as ações comerciais entre os dois portos.

Portogente - Como vai funcionar o novo modelo de gestão no porto?

Camacho - A Lei Complementar no. 284 sancionada pelo Governador do Estado de SC,Luiz Henrique da Silveira em 28 de fevereiro de 2005 estabelece modelo de gestão para a administração pública estadual catarinense e dispõe sobre a estrutura organizacional do Poder Executivo, amplia a competência da Administração do Porto de São Francisco do Sul. Até então, os seis objetivos da APSFS, conferida pela Lei Complementar no. 243 de 30 de janeiro de 2003, limitavam-se a administrar e explorar comercialmente o porto, a tratar das questões relativas às tarifas portuárias e arrecadar e aplicar a receita oriunda da prestação de serviços. Na Lei atual, segundo o disposto no Título V, que trata da Administração Indireta Estadual, mais especificamente no artigo 85, a APSFS ganha novas atribuições, sem prejuízo dos objetivos anteriormente estabelecidos, cabendo destacar, entre outras: III - estabelecer, onde for necessário ao desempenho de suas atividades, agências, escritórios ou representações e centros logísticos para apoio das operações portuárias da captação de cargas para o porto; IV - captar, em fontes internas ou externas, recursos a serem aplicados na execução de sua programação; V - realizar programas de pesquisa e de desenvolvimento portuário, promovendo a cooperação técnica com entidades públicas e privadas; VI - desenvolver estudos do sistema aquaviário da Baía da Babitonga, com vistas ao aproveitamento da malja hidroviária para transporte de mercadorias de cabotagem com destino ao Porto. A Lei Complementar 284, estabelece ainda que a Administração do Porto de São Francisco do Sul passa a se vincular à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Regional-Joinville. Até então a APSFS subordinava-se a Secretaria de Estado de Infra-Estrutura.

 

Portogente - O porto foi habilitado para operar com navios porta-containeres de carga geral, granéis sólidos e líquidos. Isso fará com que ele suba no ranking de movimentação de containres?

Camacho - Após a conclusão das obras de reestruturação dos berços 102 e 103, que iniciaram no dia 17 de maio, previstas para os próximos 10 meses, a expectativa é de que a movimentação de cargas tenha um acréscimo em torno de 35%. Os trabalhos preliminares de reforço estrutural, ensaios sônicos e de topografia estão sendo realizados pelo 10. Batalhão de Engenharia de construção de Lages. Essas obras, no porto francisquense, marcam a primeira ação da Agenda Portos no Brasil, que conta com recursos do Governo Federal, na ordem de 80% e do Governo Estadual, 20%, totalizando um investimento de R$ 20.160.000,00.

 

Portogente - Por que o porto francisquense é o melhor porto natural do sul do país?

Camacho - O Porto de São Francisco do Sul, é considerado o melhor porto natural do sul do país, em função do seu canal de acesso, que tem 9,3 Km de extensão. Desde a inauguração do porto em 1955, já era um canal natural, com profundidade de 8 metros somente ao longo de 4,5 km de extensão iniciais. Desde essa época até os dias de hoje os aprofundamentos realizados, para 13 metros deu-se apenas nesse menor trecho, e a sua manutenção se faz necessária em período nunca inferior a média de 3 anos,o que o torna um porto diferenciado dos demais, que necessitam de manutenção continua. Convém observar que 5km da extensão total, nunca precisaram de dragagem, pois encontram profundidade superior a 15 metros.

 

Portogente - O porto teve ou tem dificuldades com a adaptação ao ISPS Code?

Camacho - Todas as fases para a certificação do ISPS Code foram acompanhadas diretamente pela Administração do Porto, que investiu R$ 2,2 milhões, recursos próprios para aquisição de câmeras e outros equipamentos destinados ao monitoramento das rotinas portuárias. A adequação das instalações da APSFS ao ISPS Code iniciou com a identificação, além dos acessos ao interior do porto, dos pontos vulneráveis a ataques à infra-estrutura portuária. Foram avaliados a integridade das estruturas, os sistemas de proteção e de comunicação, transportes e outras áreas que podem ser alvo de ações terroristas. A APSFS compareceu a todos os eventos relacionados ao ISPS Code, destacando-se entre eles o Encontro Interamericano sobre Segurança Portuária realizado no Rio de Janeiro. Com esta Deliberação do Ministério da Justiça, o Porto de São Francisco do
Sul passa a ser o 4o. porto no Brasil a se enquadrar dentro de todas as normas internacionais exigidas.

Portogente - Em 94 o porto teve um Boom em seu crescimento. O que motivou isso?
Camacho - O maior crescimento do porto francisquense foi registrado a partir de  1995, com investimentos até 1998 na ordem de 22 milhões de reais, dos quais 18 milhões provenientes do Governo do Estado (Receita própria da administração do porto). A partir da implantação da lei no. 8.630, investimentos privados através de operadores portuários, e aquisição de novos equipamentos, agilizaram as operações, resultando na continuidade do crescimento do porto. Nos últimos 3 anos a iniciativa privada deu continuidade aos investimentos, totalizando atualmente 120 milhões na retroárea, incluindo-se aí a implantação do Corredor de Exportação (Terlogs, Bunge e Cidasc) e dois novos Ships.

Portogente - O Estado tem concessão até 2011 para explorar o porto. Quais são os projetos de expansão e exploração até o vencimento da concessão? Há interesse dessa concessão ser renovada?
Camacho - A Administração do porto é uma autarquia estadual através da concessão do Governo Federal, cujo vencimento se dará em 2011. Pela condição do porto estar estrategicamente localizado no estado catarinense, absorvendo a produção de áreas altamente industrializadas (região norte) e produção
agrícola do oeste catarinense e paranaense e Mato Grosso do Sul, o governo estadual tem total interesse em prorrogar essa concessão, já que o porto é peça fundamental para o desenvolvimento sócio-econômico catarinense. Neste ano deve iniciar as obras de reforço e recuperação dos berços 102 e
103, com conclusão prevista ainda para 2005, proporcionando um aumento em torno de 50% na movimentação geral de cargas. Também está prevista a construção do Centro Operacional para reunir numa única edificação as gerências operacionais da APSFS, órgãos que prestam serviços essenciais às operações portuárias, como Anvisa, Ministério da Agricultura, Receita Federal e Ibama, e ainda OGMO, espaço para trabalho dos despachantes aduaneiros, auditório, salas de reuniões e posto bancário.

Portogente
- Qual a vantagem de ter o Aeródromo de São Francisco do Sul perto do porto?

Camacho - O Aeródromo de São Francisco do Sul existe desde a década de 40. Como seu campo de pouso é de grama, somente aterrizam pequenas aeronaves. Depois da instalação da Petrobrás, e mais recentemente da Vega do Sul, junto com as
administrações dos governos municipal e estadual, se cogita a possibilidade de realizar melhorias no aeródromo, no que se refere a ampliação e asfaltamento da pista, para que possa receber aeronaves de linhas regulares na região, quando impossibilitados de aterrizarem, principalmente em Joinville, que com freqüência permanece fechado em função de condições climáticas desfavoráveis.

Portogente - A Ferrovia América Latina Logística integra o porto a toda malha ferroviária nacional e internacional. Qual a importância dessa infra-estrutura para o porto?
Camacho - Apesar da lentidão desse tipo de transporte, em comparação aos demais transportes hoje existentes, para os portos brasileiros que dispõe de linhas férreas há um barateamento significativo. O porto francisquense integra a
malha ferroviária da ALL (América Latina Logística), fazendo chegar os produtos até a Argentina e o grande centro consumidor de São Paulo. Através dessa malha ferroviária a Bunge recebe grãos de soja para moagem provenientes do norte paranaense e Mato Grosso do Sul, e posterior exportação do farelo. A empresa Moinho Anaconda de São Paulo, utiliza
sistematicamente esse tipo de transporte para o recebimento da importação de trigo em grãos, numa alternativa eficiente de redução de custos.

Website: www.apsfs.sc.gov.br
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