Por Carlos Neder, deputado estadual (PT/SP) 

Se há alguma lógica na máxima de que o Brasil só funciona após o Carnaval, já passou da hora do governador Alckmin assumir o erro sobre o problema da falta de água no Estado. Aliás, o colapso do Sistema Cantareira já vem penalizando milhares de pessoas em mais de 80 municípios, que se veem forçados a lidar, na prática, com o racionamento não oficial.

Chama a atenção que esse descaso com o abastecimento d´água tenha ocorrido no governo do PSDB, que sempre se vangloria de ser um modelo de gestão pública eficiente. Definitivamente, esse não é o caso.

Atribuir o problema simplesmente à onda de calor ocorrida no final do ano passado e à escassez de chuva não pode servir de desculpa esfarrapada, com a Sabesp atribuindo ao cidadão uma culpa que essencialmente não é dele. Nada contra pedir que a população não desperdice água e oferecer “prêmios” para quem conseguir economizar o seu consumo.

A situação, porém, demonstra bem a falta de planejamento do governo estadual, que não conseguiu viabilizar novos meios de captação d´água e de interligação de reservatórios nem encontrou alternativas para evitar as absurdas perdas que ocorrem no trajeto entre as fontes de captação e a torneira das casas dos moradores paulistas.

Além disso, o Sistema Cantareira recebe hoje dos afluentes apenas 10 metros cúbicos d´água por segundo e envia 33,9 metros cúbicos por segundo – três vezes a mais do que é produzido! Ou seja, temos hoje uma “represa” operando com pouco mais de 15% de sua capacidade.

Não bastasse a grave questão do desabastecimento, a imprensa revela que há fortes indícios de favorecimento de ex-gestores da Sabesp em contratos envolvendo empresas particulares e a instituição. Boa parte dessas companhias, aliás, em que, curiosamente, atuam hoje esses mesmos profissionais. Isso, por si só, demanda uma boa investigação.

Enquanto os problemas se agravam, a administração estadual vacila em tomar medidas mais enérgicas, com receio de que isso prejudique a campanha à reeleição. Desse jeito, em nome de uma finalidade meramente eleitoreira, fica-se com a estranha impressão de que o governo Alckmin quer que todos nós incorporemos em nosso cotidiano o ritual de simpatias para que volte a chover logo. Será que só assim haverá água, governador? 

 

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