José Reinaldo TavaresEngenheiro, ex-governador do Maranhão, foi ministro dos Transportes. E atual secretário de Desenvolvimento do Maranhão

A Rota da Seda é a maior oportunidade de desenvolvimento econômico e social que jamais tivemos. Fazer parte da Rota da Seda nos coloca em uma posição muito especial em relação à China. E esse fato nos dá uma diferença muito grande em relação a outros estados brasileiros. Nós fomos escolhidos pela excelência de nossa infraestrutura, pelos portos, ferrovias e pela ligação que temos com a Ferrovia Norte-Sul, o maior eixo de transporte de cargas brasileiro. Somos fortes em logística de transportes, tanto na terra como no mar.

São 65 países no mundo que fazem parte da Rota. Integrar esse sistema de comércio mundial nos dará acesso facilitado a esses mercados e a oportunidade de grande intercâmbio comercial. Os países integrantes desse sistema podem receber investimentos em infraestrutura, em portos, ferrovias, rodovias, em logística de transporte e em outros setores em projetos de interesse dos chineses.

Só para dar um exemplo, as condições especiais dos nossos portos, muito profundos, capazes de receber os maiores navios do mundo (que são os mais eficientes e capazes de oferecer transporte para longas distâncias, cobrando fretes muito mais baixos do que qualquer outro navio) e só podem ser recebidos em nossos portos e em mais nenhum outro porto da América. Eliezer Batista, um dos maiores engenheiros brasileiros, gênio da logística, transformou a antiga Vale do Rio Doce, uma empresa média em termos mundiais, em uma das maiores empresas de mineração do mundo ao juntar no Maranhão, ferrovia moderna e porto profundo para transportar minério para a Ásia. Isto é incontestável.

Pois bem, nós fizemos a grandeza da Vale. Mas temos condições de oferecermos as mesmas possibilidades a outras empresas, nacionais ou não, criando outras gigantes da mineração, ofertando vantagens similares a outras empresas que fizeram a grandeza da Vale. E tão lucrativa, quanto. Sonho?

Não. A Austrália possui várias empresas mineradoras, tão grandes ou maiores do que a Vale, que parece acomodada, não conseguindo crescer. Minério existe e muito na região fora das minas de Carajás. O que faltaria? Só um grande investidor, o que pode ser um projeto fantástico, muito importante para nosso desenvolvimento.

Os chineses tentaram fazer uma grande empresa de mineração na África, mas tiveram tantas dificuldades que desistiram. E se com a Rota da Seda, eles resolverem fazer isso aqui?

Já pensaram uma empresa do porte da Vale, com sede em São Luís? Nosso PIB subirá com índices chineses. E é fácil fazer, o minério existe no Pará, no Piauí. A Ferrovia do Maranhão já tem autorização do Governo Federal. O Terminal Portuário de Alcântara tem os 8 berços com profundidade de 25 metros. Pronto, a logística é imbatível. Vai ser feito? Não sei. Mas a possibilidade existe e é forte.

Esse é só um dos projetos que poderá fazer parte em uma pauta da Rota da Seda. Grandes oportunidades – E não é só esse. Com a ZPE (Zona de Processamento de Exportação) com energia renovável, hidrogênio verde, amônia, gás natural, com uma inigualável logística de transporte, com ligação com a Ferrovia Norte-Sul, com a possibilidade de extrair gás de folhelho, com a existência de um grande lençol de petróleo na margem equatorial, com as excelentes condições que temos para ocuparmos um lugar importante no mercado de crédito de carbono, com a possibilidade inigualável que o intercâmbio comercial com a China nos oferece, ao trazer mercadorias chinesas para cá, em navios que podem transportar produtos nossos e da região, para muitos desses países da Rota da Seda, como países africanos, com o nosso complexo portuário, o maior do Brasil, me digam quem pode nos igualar em termos de grandes oportunidades para investimento? Ou para a criação de empregos bem remunerados?

Com a nossa cultura popular, com as nossas praias (a serem limpas), a nossa culinária, temos uma possibilidade enorme de atrair hotéis e criar uma próspera indústria do turismo, com uma demanda enorme de viagens de negócios, de turismo cultural, de turismo em busca de alegria e diversão, o que atrairia grandes cadeias de hotéis. Porém, isso é uma construção coletiva, de todos, entre os quais são imprescindíveis a Federação das Indústrias, a Academia, o nosso Complexo Portuário, sob a coordenação do Governo do Estado, todos com as suas áreas de atuação, formando um todo homogêneo, pois nada ocorre por acaso.

É preciso um grande esforço coletivo, programas, projetos, planos e muita luta.

Nós, mesmo de maneira mais ou menos informal, já estamos há cerca de dois anos trabalhando nessa imensa empreitada. Tudo começou na Fiema (Federação das Indústrias do Estado do Maranhão) com a criação do Grupo Pensar o Maranhão. Portanto, não é uma discussão nova para nós. Agora na SEDEPE (Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Programas Estratégicos) pude reunir uma equipe de grande qualidade, que se encontra semanalmente para analisar o que foi feito e avançar. Tudo com muito apoio do governador Carlos Brandão e do secretário do Planejamento, Luís Fernando, e do secretário da Fazenda, Marcellus Alves. Assim, já conseguimos pôr em andamento projetos importantíssimos como a ZPE, que é um elo fundamental em todo esse conjunto de projetos, pois é um ponto de apoio fundamental para todos os outros, atraindo investimentos e empregos.

Já temos o local onde a ZPE será instalada, aproveitando investimentos realizados no terreno, racionalizando todos os custos. Demos o primeiro passo muito importante, iniciando os passos para aprovação e instalação da ZPE que, antes do final do ano, esperamos instalar.

Ficamos muito felizes com a presença importantíssima dos prefeitos da região nesse dia, com a classe política, compreendendo a grandeza e o significado desse instrumento de desenvolvimento.

No dia 7 último, tivemos um outro lançamento de grande importância, a instalação da Comissão para estudo da nossa política de energia renovável e de hidrogênio verde e amônia. Esse setor é muito importante para o nosso desenvolvimento: trata-se de energia e fertilizantes, que são fundamentais ao desenvolvimento do Estado. Convidamos o professor Jurandir Picanço, engenheiro, um dos maiores especialistas brasileiros no tema, que é consultor da Federação de Indústrias do Ceará. Ele fez a palestra principal do evento, mostrando os caminhos que o Ceará – um dos estados que se organizou melhor para os novos tempos – já trilhou o panorama brasileiro e mundial, bem como as possibilidades do Nordeste como fornecedor mundial.

Quem quiser se informar melhor sobre o tema, estamos à disposição na SEDEPE (Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Programas Estratégicos) do Estado do Maranhão.

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