Guarujá, no litoral paulista, se vê às voltas com um período promissor em sua história. O avanço do processo para erguer o aeroporto e a possiblidade da construção da ligação seca entre as duas margens do Porto de Santos (ponte ou túnel), se consolidados, serão importantes instrumentos para alavancar o desenvolvimento da cidade e da Baixada Santista, não apenas do Porto de Santos.

Guarujá 2A margem esquerda do Porto de Santos, em Guarujá, é responsável por cerca de 35% da
movimentação portuária local. Fotos: Márcia Costa.

Cerca de 35% da movimentação de cargas do complexo portuário da Baixada Santista ocorre do lado de Guarujá, segundo o prefeito Valter Suman. É ali que o Porto pode crescer mais, sustenta o prefeito. A coluna “Cais das Letras” conversou com ele e com o secretário de Desenvolvimento Econômico e Portuário, Alexandre Trombelli, sobre as grandes obras que podem transformar a região. Confira, a seguir:

Sobre a construção do aeroporto, como está?
200 Prefeito GuarujáValter Suman - O edital foi aberto, e quem oferecer a melhor outorga, com valor mínimo de R$1 milhão, feito isso, estaremos promovendo depois o licenciamento da pista. Depois de 60 dias, após a outorga, teremos o licenciamento da pista. O Presidente Bolsonaro, em sua última viagem a Guarujá, manteve contato de imediato com o Ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes, solicitando, na verdade, a continuidade de todo o apoio, pois o ministro tem sido um grande apoiador e incentivador do aeródromo metropolitano, que será o segundo aeródromo civil em uma zona militar. Nós recebemos há cerca de 6 ou 8 meses a outorga de uma área de 55 mil metros quadrados da União dentro da Base Aérea que vai compor a segunda fase do aeroporto. A primeira vai contemplar áreas já existentes da Base Aérea com alguma reforma. O segundo píer de atracação será revitalizado facilitando a travessia para Santos, facilitando a vida de quem utiliza as temporadas de cruzeiro. Será uma virada chave da economia para Guarujá e principalmente para Vicente de Carvalho, para a Baixada Santista, uma virada para o mercado da habitação, e principalmente para Vicente de carvalho, contar com um modal dessa importância, uma vez que nossa cidade tem vários modais - ferroviário, o sistema Anchieta imigrantes, a futura duplicação da Rio- Santos, que o governo do Estado já anunciou, temos o porto, retroporto e, agora, o aeródromo que, até final de 2020 já estará em operação.

Por que não colocar em funcionamento um aeroporto pronto, militar, que muitos anos operou na ponte aérea Campinas-Santos – São José-RJ?
É uma conexão muito antiga, usada para correio aéreo, mas as regras para a viação comercial são diferentes das regras da viação militar. Para homologar a pista para pouso e decolagem para passageiros ela tem exigências, e elas são feitas dentro dos padrões para voos comerciais. Por isso estamos entregando à iniciativa privada para investimentos.

Como o prefeito avalia o serviço das balsas durante a temporada na travessia Santos-Guarujá?
Enquanto não ocorrer a tão esperada a tão ligação que o Estado já anunciou através da possibilidade da ponte através da parceria com a Ecovias ou a outra alternativa, que seria o túnel, que carece de debate e avaliação pela União, temos um gargalo enorme na travessia, seja na balsa e barcas. Considerando que moramos em uma região com 2 milhões de pessoas e que na temporada de verão e finais de semana ensolaradas o número de veículos quase que quadruplica no fim de semana e na temporada, é uma demanda grande. O município tem mobilizado agentes de trânsito, empregado 15 guardas civis para ordenamento e disciplina de deslocamentos desses veículos no deslocamento, coibindo transtornos como fura filas. Lembrar também que, a movimentação de cargas no estuário tem ampliado de forma significativa e muitas vezes retardado a travessia. Além disso, o tempo, a natureza, pode também implicar em alterações.

A solução final para a ligação seca, de preferência, a nosso ver, seria o túnel – seria Santos Vicente de Carvalho e hoje está preconizado Santos-Santos. [O túnel também seria uma forma de a gente se incluir no processo de metropolização pelo VLT, é a única forma, complementa a assessoria de imprensa].

Dentro do debate sobre a metropolização, o debate ligação seca, a participação de Guarujá é importante. Como a Prefeitura tem participado?
Estamos nos fazendo presentes nos mais variados momentos de debate da ligação seca. A Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Portuário tem se mostrado presente nos amplos debates promovidos pelada imprensa, Condesb, autoridade portuária. Guarujá se preocupa porque temos, salvo engano, cerca de 30, 35% de movimentação de cargas do complexo portuário da Baixada Santista situado do lado de Guarujá, e o único lugar que pode crescer é aqui, do lado de Guarujá. Nossa margem esquerda tem cerca de 850 m de área a serem explorados de margem de atracação, temos profundidade maior do calado, mais adequado, e algumas ações conjuntas entre a questão habitacional, portuária, ferroviária já estão sendo tomadas. Assinamos contrato, convênio, com MRS Logística, eles estão investindo R$ 5 milhões e 900 mil reais para deslocar 300 famílias da linha férrea, que moram coladas ali. E os terminais como Santos Brasil, os graneleiros Teg, Teag, TGG, também estudam investimentos. A Santos Brasil, se não me engano, já iniciou as obras, o canteiro de obras está estipulado em 150 milhões de reais, há uma expectativa muito positiva de ampliação de movimentação de cargas, aliada à questão habitacional da condição de retirar pessoas em risco de pessoas em vulnerabilidade de áreas de risco. Há interesse da área empresarial, do estado, da cidade, da União, para que que essa área seja efetivamente destinada à atividade portuária.

Guarujá 1Prefeitura está engajada no processo de discussão sobre ligação seca com Santos.

Nesse processo de debate sobre o projeto da ponte da Ecovias, como a prefeitura tem participado?
A gente acredita que o importante é ter uma ligação seca, e a Prefeitura naturalmente prefere o túnel, mas o que está se apresentando viável hoje economicamente, e em termos de investimento, é a ponte. Porém, a Codesp hoje está com um projeto do túnel de unir as perimetrais ligando até a Anchieta-Imigrantes, que deve ser debatida à exaustão antes de se tomar decisão. O que vai promover a real mobilidade das pessoas na ligação seca é o túnel - a ponte vai atender outro sistema de transporte, prioritariamente a cargas. A gente busca que esse debate se esgote nas duas esferas. A gente acompanha, não temos poder pelo município, a gente torce que o governo federal chegue num consenso. Não cabe à Prefeitura escolher um ou outro. Que o governo escolha o melhor projeto pra região.

O prefeito esteve com o presidente Bolsonaro recentemente na Baixada Santista. Este tema foi abordado?
Abordei mais sobre a questão do aeródromo, algo que está muito próximo, concretizável, tem uma importância a curto prazo factível. A União tem sido muito parceira, seja através da Força Aérea, nossa querida Base Aérea, os comandantes que já passaram por aqui, a Secretaria Nacional da Viação Civil, o Ministério da infraestrutura, temos todo o amparo da União para que seja realizado. Terminado o processo licitatório, vai pra homologação da pista... temos programada uma visita a Brasília, é bom até agendar [disse, dirigindo a solicitação a Trombelli].

Marcia editada
* Jornalista, fotógrafa, pesquisadora, docente, pós-doutora em Comunicação e Cultura e diretora da Cais das Letras Comunicação. Contato: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

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