Itajaí, novembro de 2008. A chuva, implacável, destrói a cidade portuária de Santa Catarina de forma devastadora. Tragédia, apontava a imprensa. Milhares de desabrigados e dezenas de mortos. Cenário de destruição. Hoje, a Cidade não tem mais sinais dos momentos difíceis que passou. "O Porto de Itajaí se recupera e, segundo previsão da Secretaria Especial de Portos (SEP), até abril tudo estará totalmente normalizado", informa Robert Grantham, diretor comercial do porto catarinense.

 

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Em entrevista ao PortoGente, Grantham disse que durante o processo de reconstrução do Porto a burocracia emperrou o desenvolvimento, mas que o Governo Federal agiu com rapidez. “Através de medida provisória, a verba para a reconstrução saiu rápido”.


A dragagem foi o "calcanhar de aquiles" do processo. Aí é que veio a burocracia, observa Grantham. O dirigente portuário avalia que o problema ficou por conta do contrato com a empresa para a dragagem da baía do Rio Itajaí-Açu. Para ele, a rapidez no fechamento do contrato é que gerou o problema. "Fizeram contrato por volume e não por resultado. Terminou o contrato e foram embora. Depois, os terminais tiveram que contratar outra empresa".


Mas, passado um ano, as perspectivas são ótimas. De acordo com o diretor do Porto de Itajaí, o futuro tem tudo para dar certo. "Todos os sinais indicam que a tragédia não afetou a credibilidade e a importância do Porto. Todos os armadores estão operando. Os clientes antigos continuam e novos estão vindo. A SEP informou à Docas de Itajaí que até abril recuperamos tudo e eu acredito nisso”.


Toda a movimentação de cargas está normalizada. "Agora é uma questão de mercado. A crise ainda afeta Itajaí. Determinados mercados de Santa Catarina ainda estão deprimidos". Grantham explica que o setor de construção civil teve uma queda e, com isso, as exportações de cerâmica e de madeira sofreram forte redução. Outro problema enfrentado é com o câmbio. O diretor comercial diz que a valorização do Real influencia negativamente no envio de produtos de baixo valor agregado ao exterior.


Enquanto as exportações pelo Porto de Itajaí não apresentam resultados expressivos, as importações mostram crescimento com 39% da movimentação.

 

A cidade de Itajaí se recupera como o Porto. Grantham afirma que não há mais sinais da tragédia de 2008. "Os investimentos não pararam. Existem várias expansões de terminais, novos retroáreas. Muita confiança no futuro do Porto".


Os números percebidos nos dez primeiros meses deste ano mostram a nova realidade do Complexo Portuário de Itajaí. A quantidade de atracações se iguala ao registrado no mesmo período do ano passado e o número de escalas de navios de carga geral cresceu 40%. O volume de atracações de navios full contêiner apresentou moderada retração (2%), assim como as operações de navios reefer, que caíram 57%, ambos seguindo a tendência global do mercado. 

 


A movimentação de contêineres é a operação mais forte do porto catarinense


Grantham observa que somente o Teconvi, porto público, ainda não conseguiu recuperar o volume dos anos anteriores registrando somente 199 escalas de navios full contêiner, ante às 506 escalas registradas em igual período no ano passado, totalizando uma redução de 61%. Mas o quantitativo de escalas em outubro último em relação a setembro aumentou: 30 em outubro e 23 em setembro, crescimento de 21,32% no volume de TEUs (Twenty-foot Equivalent Unit - unidade internacional equivalente a um contêiner de

20 pés) movimentados, que passou de 17,61mil em setembro, para 21,36 mil em outubro.


A retomada das operações no Porto de Itajaí também impactou no ganho do trabalhador portuário. Embora aquém dos ganhos relativos ao ano passado, o montante de mão de obra pago aos trabalhadores avulsos de Itajai registrou um aumento médio mensal de 18,40% no período compreendido entre os meses de janeiro e outubro de 2009.

 

Website: www.portoitajai.com.br

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