Murilo 2021* Presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (Seesp)

No próximo domingo, 5 de junho, comemora-se o Dia Mundial do Meio Ambiente. Lamentavelmente, sem motivos para festejos em relação ao tema, espera-se que a data reforce o alerta para a grave crise vivida atualmente em todo o mundo. No Brasil, cujo desempenho para conter o desmatamento e as emissões de gases de efeito estufa deixa a desejar, a expectativa é que o chamado à razão leve a uma correção de rumo.

O País abandonou a partir de 2019 os compromissos antes assumidos e tudo indica que, a seguir na tendência atual, não fará sua parte para cumprir o Acordo de Paris e a meta de limitar o aquecimento global em 1,50C até 2100. A previsão está no relatório “Keeping 1,5°C Alive”, divulgado na última semana. “O caso do Brasil é mais preocupante; sua Contribuição Nacional Determinada (NDC) revisada piorou à medida foram feitas alterações no ano-base, e a taxa de desmatamento no País acelerou”, destaca o trabalho que critica a manobra feita em 2020 para que o País fosse autorizado a emitir, em 2030, até 400 milhões de toneladas a mais de gases de efeito estufa do que previsto na meta original. Pegas no contrapé, as autoridades brasileiras apresentaram previsão um pouco mais ambiciosa neste ano, mas ainda assim abaixo da inicial, de 2015.

Não restam dúvidas que cabe aos países ricos maior quinhão de responsabilidade por essa crise que é real e afeta a todos, sendo justo, portanto, que também tenham que contribuir majoritariamente para contê-la. No entanto, não faz qualquer sentido o Brasil se tornar um pária nesse assunto, prejudicando mais diretamente sua própria população. O País tem vivenciado, como todos sabemos e palestra do pesquisador Jean Ometto em março último confirmou, “intensificação da seca no Nordeste; perda de produção agrícola associada à variação climática; impacto na biodiversidade, agravado pela poluição, degradação, desmatamento; elevação do nível do mar; e por fim aumento dos eventos extremos de chuva e seca”.

Os brasileiros que vivem nas cidades, no campo e nas florestas sofrem as consequências da nossa falta de compromisso com as demandas presentes e do futuro. Além de urgente e necessário, investir na preservação do ambiente é também oportunidade real para que retomemos o nosso desenvolvimento de forma sustentável. Precisamos, por exemplo, nos valer das nossas vantagens estratégicas e ter papel relevante na transição energética em curso no mundo e inevitável se quisermos continuar a habitar este planeta de maneira razoável.

O SEESP e a Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) dão sua contribuição a essa discussão nos dias 8 e 9 de junho, com a realização do V Ecovale (Encontro Ambiental do Vale do Paraíba), que acontece presencialmente, em Taubaté, e virtualmente. Vamos juntos, verdadeiramente comprometidos, nessa luta pela nossa sobrevivência.

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