Para 24% da população, a quantidade de comida disponível em casa para alimentar a família foi inferior à que seria necessária

A busca por receitas práticas e inventivas no site Folha Go e em outros portais dedicados à alimentação têm crescido substancialmente. A comida no prato dos brasileiros está escasseando e a criatividade tem entrado com força na rotina alimentar das famílias, sobretudo aquelas com menor poder aquisitivo.

Essa deve ser uma realidade cada vez mais constante na vida dos cidadãos do país. Uma pesquisa feita pelo Datafolha na semana passada mostrou que quase um a cada quatro brasileiros não têm alimento suficiente para comer nos últimos meses. De acordo com a pesquisa, 24% da população tem menos comida do que o necessário prato.

Ainda segundo o levantamento, 63% afirmaram que a alimentação foi suficiente e 13% declararam ter mais comida do que o necessário. A pesquisa do instituto ouviu 2556 pessoas, em 181 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.

Esse cenário mostra um cenário de insegurança alimentar cada vez mais presente entre os brasileiros. A condição tem se aplicado a quem recebe dois salários mínimos por mês (R$ 2424). Desses, 35% responderam que a quantia de comida é insuficiente. Em uma análise geográfica, o Nordeste é quem mais sofre pela insegurança alimentar. Por ali, 32% das famílias estão incluídas nessa condição. A região é seguida por Sudeste, Centro-Oeste e Norte, que empatam com 23%, e pelo Sul, com 18%.

Um fator decisivo para esse consumo abaixo do indicado nos alimentos é o preço dos produtos, pressionados pela alta inflação. Recentemente, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) concluiu que a inflação encerrou 2021 com uma variação acumulada de 10,06% em 12 meses no Brasil, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em janeiro.

Os dados da pesquisa mostram que o setor de alimentos e bebidas registrou alta de quase 2,5% no período. O valor, que parece baixo, faz muita diferença para quem recebe pouco e precisa economizar muito. Além disso, oito alimentos subiram mais de 50% no acumulado de 12 meses e ajudaram a puxar o percentual para cima.

Em entrevista recente ao site Metrópoles, o economista da Universidade Estadual da Universidade de Campinas (Unicamp) Felipe Queiroz disse que o impacto da inflação é sentido principalmente pelas famílias de menor renda.

“Isso traz várias consequências negativas, como o subconsumo, desnutrição, situação de precariedade. O que nós vimos no ano passado, com pessoas procurando ossos no lixo, é a expressão real desse processo avassalador da inflação no Brasil“, pontua Queiroz.

A alta dos alimentos, sobretudo entre frutas e legumes, faz com que a alimentação dos brasileiros seja empurrada para o consumo de produtos industrializados e processados. Também ao Metrópoles, o nutricionista Bruno Redondo afirmou que esse cenário é perigoso para a saúde da população.

“Os alimentos industrializados são muito mais baratos. Um pacote de biscoito, por exemplo, sai pelo valor de R$ 3, enquanto um maço de alface custa entre R$ 6 e R$ 7. As pessoas estão mais preocupadas em saciar a fome delas do que comer bem. Infelizmente, essa é uma realidade muito presente no nosso país”, finaliza.

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