Mesmo sem legislação vigente no país, clubes da Série A e B estampam em seus uniformes marcas de companhias ligadas ao mercado de apostas esportivas

Apesar de não haver uma legislação específica para regular o setor de apostas esportivas no Brasil, o mercado tem atraído cada vez mais brasileiros em busca de crescimento neste setor. Estudos do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento) e do Ministério da Economia apontam que as apostas em solo brasileiro já movimentam cerca de R$ 4 bilhões de reais por ano.

Diante desse cenário, a procura de empresas por espaços no mercado nacional cresce exponencialmente. A intenção já não é apenas ações de marketing na internet ou aplicativos parceiros. A expansão deste setor tem atuado de maneira significativa no esporte mais popular do país: o futebol. As movimentações recentes mostram que as apostas esportivas estão cada vez mais inseridas na economia do esporte, como se vê nos patrocínios dos clubes. Eles entregam dinheiro não apenas por via direta, mas também por meio de ações. Por exemplo, confira o melhor código bônus para bet365.

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Mas como se dá essa inserção? Da maneira mais tradicional possível, mas que ainda gera uma visibilidade enorme. O patrocínio nos uniformes dos clubes. Atualmente, 19 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro estampam em suas vestimentas a logomarca ou o nome de alguma empresa relacionada ao segmento de apostas esportivas. Na maioria delas, são empresas estrangeiras que estão atuando em solo verde e amarelo.

Recentemente, o Juventude também se juntou a outros clubes da elite do futebol nacional para estampar em seu uniforme o nome de uma empresa. Com isso, apenas o Cuiabá não é patrocinado por uma companhia ligada às apostas esportivas. Gigantes como Flamengo, Palmeiras, São Paulo e Corinthians já firmaram parcerias com sites e empresas do segmento de apostas.

Em alguns casos, os acordos têm algumas especificidades. No caso do Palmeiras, por exemplo, o patrocínio da camisa e do shorts é de exclusividade da Crefisa, patrocinadora master do clube e responsável por desembolsar um caminhão de dinheiro na gestão da equipe. Por isso, a empresas de apostas tem exibido sua marca no site do clube e em algumas localidades do Allianz Parque, estádio palestrino.

"Vemos um cenário favorável para esse mercado não apenas relacionado às formas de patrocínios, mas em ações junto aos clubes, como fizemos com Bahia e Vitória, além de ativações com nosso parceiro de mídia televisiva", disse ao UOL Hans Schleier, diretor de negócios da Casa de Apostas, que também é máster na camisa do Vitória, que está na Série B.

O Brasil tem passado por uma série de movimentações para trazer mais segurança jurídica às empresas que desejam atuar no país. O que acontece atualmente é que essas companhias não mantêm sede no país. Com isso, não há nenhum tipo de tributação ou recompensa aos cofres públicos. Há projetos de Lei na Câmara dos Deputados e no Senado Federal que devem ser apreciados em breve.

"É interessante constatar que essa forte expansão nos patrocínios ocorre em meio a um mercado sem regulamentação, para não dizer irregular. Isso porque, embora uma lei datada do final de 2018 tenha aberto a porteira para a regulação das apostas esportivas, para sua plena efetividade depende de um processo de concessão que anda a passos lentos no governo federal e que muito provavelmente não sairá neste ano. Com isso, perdem todos: perde o governo, com a geração de impostos, perde a economia, com a geração de empregos e também os clubes, que ainda não conseguem atrair operadores globais do setor", disse ao UOL o advogado Eduardo Carlezzo.

Pedro Trengrouse, professor em gestão esportiva na FGV, tem opinião semelhante. "Com uma regulamentação inteligente, os impactos podem ser grandes. É um mercado cujo potencial é muito maior do que as loterias arrecadam hoje, principalmente pelo maior engajamento de consumidores jovens e porque representa uma nova forma de experiência com o esporte. Precisamos avançar nessa proposta rapidamente", finaliza o especialista.

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