O município de Guarujá completou 87 anos no dia 30 de junho último. A coluna "Cais das Letras", em celebração à data, entrevistou o prefeito Válter Suman (PSB) sobre os planos de desenvolvimento para a cidade. A Prefeitura realiza, no momento, uma campanha para atrair investimentos para a região.

vista guarujáVista da cidade do litoral de São Paulo, que é uma das margens do Porto de Santos.
Crédito: Divulgação | Prefeitura Municipal de Guarujá.

A expansão portuária na cidade é tratada como um projeto estratégico de desenvolvimento. Entre as propostas está a implantação da Zona Retroportuária de Guarujá e de um novo terminal. Além disso, o objetivo do município é ser o principal centro das atividades offshore no Estado de São Paulo.

Os principais projetos que poderão impulsionar o crescimento do município são o túnel e o aeroporto. Para a implementação dos dois projetos a prefeitura afirma que já começa a fazer estudos para um desenvolvimento sustentável, com proposta de expansão de regiões como a da Enseada, e com a revisão do plano diretor. “Diversos setores da Prefeitura estão trabalhando também em soluções viárias para o Distrito de Vicente de Carvalho, em razão da maior demanda a ser gerada pelo túnel e aeroporto”.

Confira outras propostas da prefeitura para o seu crescimento na entrevista completa:

Prefeito GuarujáA Prefeitura lançou recentemente uma campanha para atrair investimentos para a cidade. Fale sobre ela e quais os principais projetos que estão na mira da prefeitura.
Válter Suman -
Guarujá possui localização geográfica estratégica, com fácil acesso a rodovias, ferrovia e um futuro aeroporto. O município tem vocação para o desenvolvimento de diversas atividades econômicas, com facilidade para logística portuária, retroportuária, petróleo e gás, além da náutica, turismo e lazer.

A expansão portuária na cidade, por exemplo, é tratada como um projeto estratégico de desenvolvimento. O principal foco da Prefeitura é a remoção de aproximadamente 1.600 famílias que vivem na comunidade Prainha, em Vicente de Carvalho, uma área de risco. Isso possibilitaria a implantação de um novo terminal.

Outro ponto estratégico é a amplificação da operação nos terminais retroportuários. Uma área de 4,5 milhões de metros quadrados de propriedade privada, às margens da Rodovia Cônego Domênico Rangoni, em Vicente de Carvalho, foi mapeada para a implantação da Zona Retroportuária de Guarujá (ZRG). Para sair do papel, a Prefeitura trabalha em parceria com a iniciativa privada.

Guarujá também possui uma grande atratividade para o desenvolvimento da indústria de petróleo e gás natural na região. O objetivo do Município é ser o principal centro das atividades offshore no Estado de São Paulo.

Um Protocolo de Intenção para facilitar investimentos e desenvolver um pólo de empresas no município para prestação de serviços foi assinado com a Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente (Sima) do Estado de São Paulo. Guarujá já possui grandes fornecedores de serviços especializados e de alta tecnologia para o setor e a meta é ampliar ainda mais esse mercado.

Nos setores de turismo, náutica e lazer, a cidade manteve os investimentos na infraestrutura turística, com obras e melhorias que seguem em várias frentes, em diferentes pontos da Cidade.

Um plano de retomada turística pós-pandemia vem sendo discutido com o setor, acreditando ainda mais no potencial das viagens curtas como uma tendência para 2021 e 2022.

A modernização da legislação municipal é outro ponto de destaque, com um novo Plano Diretor e uma lei de atração de novos investimentos em estudo pela Administração e que serão implantados no segundo semestre.

Um dos grandes projetos que pode impulsionar a região é a construção do aeroporto. Há quem diga que entraves políticos têm atrasado a questão. Poderia falar sobre essas dificuldades, se realmente existem? Como anda o cronograma da obra? Que ações vêm sendo feitas para viabilizar o funcionamento do aeroporto?
Válter Suman - Não existem entraves políticos quanto à viabilização do aeroporto. Ações concretas nos permitem dizer que nunca estivemos tão próximos de viabilizá-lo. A Infraero, empresa pública federal referência no setor, foi contratada pela Prefeitura sendo que o planejamento possui quatro fases. A primeira, que prevê o cadastro do Aeródromo junto à Agência Nacional de Aviação Civil [Anac], está subdividida em duas, sendo uma ainda em 2021, em que o aeroporto será autorizado pela Anac a iniciar operações de aeronaves civis de pequeno porte, e outra em 2022, contemplando a reforma total da Pista.

O projeto do terminal de passageiros modular desmontável está em fase de aprovação pela Prefeitura e terá salas de embarque e desembarque, áreas para check-in, café, sanitários, escritórios de órgãos públicos, das empresas aéreas e da Infraero, além de estacionamento. Com isso a demanda para aeronaves no modelo Caravan-média, seria atendida. Ele será constituído por 21 contêineres.

As tratativas para acesso ao Fnac [Fundo Nacional da Aviação Civil] estão avançadas, essa missão está a cargo da Infraero. Já estamos nos adequando a algumas das exigências que nos fizeram e uma resposta deve vir dentro de 30 dias. Recursos vão financiar a reforma e infraestrutura da pista, além do cercamento.

O projeto do túnel tem sido defendido pelo prefeito. Em recente visita do ministro Tarcísio de Freitas o tema foi discutido? Como estão as conversas com o governo federal e governo local (Prefeitura de Santos) e governo do Estado para viabilização da obra? Que ações têm sido feitas para possibilitar a realização da obra?
Válter Suman - As conversas sobre o túnel com o ministro Tarcísio Gomes de Freitas e o corpo técnico do Ministério da Infraestrutura são recorrentes. Em todas as minhas visitas a Brasília falamos sobre o projeto do túnel imerso, defendido pela SPA com o apoio da comunidade portuária. As tratativas dependem, agora, de vontade política e de arestas a serem aparadas entre os governos do Estado e Federal. Infelizmente, os municípios têm pouco a fazer de forma prática, a não ser pressionando politicamente, que é o que temos feito nos últimos anos com maior intensidade. O túnel imerso representa uma boa solução para Guarujá, capaz de absorver a grande demanda daquela que é a maior travessia marítima em volume de veículos do mundo, são 30 mil por dia, em média. E também representa uma solução para incluir Guarujá num projeto metropolitano de mobilidade urbana, de fato, na medida em que prevê espaço para a passagem do VLT, por exemplo, interligando Guarujá às demais cidades da região por este modal.

Após o acidente com o navio, o debate sobre o projeto do túnel será acirrado? A prefeitura pretende discutir o tema com a cidade?
Válter Suman - Não vejo outro caminho. Incidentes como esse só acontecem porque vivemos um perigoso paradoxo. Por um lado, o grande conflito causado por uma alta demanda de veículos terrestres e também atividades cada vez mais intensas no canal do porto, com um número crescente de viagens diárias de navios cada vez maiores e mais carregados, também. Por outro lado, um sistema completamente obsoleto, composto por balsas com décadas de uso, que cada vez mais se mostram sem condições de suportar as atividades diárias da travessia. Após o acidente, perdemos uma gaveta de atracação, além do flutuante por onde eram transportados ciclistas e pedestres, também, o que só piorou a situação. Cobramos publicamente as autoridades capazes de custear projeto e execução das obras e aguardamos respostas o mais breve possível, sob pena de colapsar duas das maiores cidades da região, que juntas têm praticamente 800 mil habitantes e dependem de uma alternativa ágil, segura e econômica de ligação seca, sob pena de comprometerem seu desenvolvimento.

Em se viabilizando, o túnel e o aeroporto vão mudar a cara de Guarujá. Há um planejamento da cidade previsto para isso? A questão da ocupação do solo, a questão da expansão imobiliária, o adensamento do trânsito da região etc.?
Válter Suman - Pensamos a cidade sob diversos aspectos e planejamos um desenvolvimento sustentável considerando adventos como o túnel e o aeroporto. Por isso, temos no horizonte ideias de expansão direcionadas a regiões como a da Enseada, o que seria possível com a revisão do plano diretor. Uma das opções é incentivar a verticalização em áreas próximas à Avenida Dom Pedro I, mas nada que comprometa a zona da orla. Por isso, trabalhamos intensamente, também, para viabilizar o prolongamento dessa importante artéria da Cidade, vital para a ligação com a região leste de Guarujá, onde há espaço físico e condições para crescer. Diversos setores da Prefeitura estão trabalhando também em soluções viárias para o Distrito de Vicente de Carvalho, em razão da maior demanda a ser gerada pelo túnel e aeroporto. São estudos incipientes, mas já dentro da agenda da Administração Municipal. Quem sabe o que quer, vai mais longe.

Marcia editada* Jornalista, fotógrafa, pesquisadora, docente, pós-doutora em Comunicação e Cultura e diretora da Cais das Letras Comunicação. Contato: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

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